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A quebra de barreiras psicológicas na natação feminina

Ricardo Cintra relembra o trabalho mental de Poliana Okimoto e a mudança de patamar para as atletas brasileiras.

Em depoimento ao Natação Stemma, Ricardo Cintra conta como as medalhas nas maratonas aquáticas destravaram a autoconfiança da natação feminina no Brasil. O treinador detalha a barreira psicológica superada por Poliana Okimoto e sua hegemonia nas piscinas.

Durante décadas, a presença de nadadoras brasileiras no pódio olímpico foi tratada quase como uma impossibilidade técnica e cultural. Em participação no podcast Natação Stemma, o treinador Ricardo Cintra relembrou como a trajetória vitoriosa de Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha nas maratonas aquáticas funcionou como uma virada de chave para a autoconfiança de toda uma geração, inspirando inclusive atletas de piscina como Etiene Medeiros.

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O estigma da utopia e a luta por espaço

Quando Poliana despontou nas competições nacionais, o cenário da natação feminina no Brasil impunha limites severos às expectativas. Estar em uma Olimpíada já era considerado um feito grandioso, restrito a raros nomes como Fabíola Molina. A descrença institucional era tão evidente que atletas organizaram protestos com camisetas durante edições do Troféu Brasil reivindicando a aplicação de índices B para permitir maior representatividade feminina nos Jogos Olímpicos.

Poliana participou dessas manifestações ainda jovem, por volta dos 14 ou 15 anos. Essa atmosfera de descrédito coletivo acabou criando uma barreira invisível, enraizando a ideia de que nadadoras do país não tinham condições de disputar medalhas nos maiores palcos do mundo.

A quebra de barreiras psicológicas na natação feminina

O trabalho psicológico rumo ao pódio olímpico

Mesmo após se consolidar como medalhista em Campeonatos Mundiais e no circuito da Copa do Mundo, Poliana ainda precisava lidar com bloqueios internos herdados do contexto em que cresceu. Convencê-la de que ela era uma concorrente legítima ao ouro e à prata nos Jogos Olímpicos exigiu um trabalho interdisciplinar intenso.

No ciclo olímpico decisivo, Cintra contou com o suporte da psicóloga esportiva Regina Brandão. O trabalho mental foi determinante para desmontar a crença limitante de que sua geração não pertencia ao pódio olímpico, abrindo caminho para que as provas de fundo do Brasil se tornassem referência internacional de competitividade.

Hegemonia e recordes na piscina treinando para o mar

Apesar da preparação voltada integralmente às maratonas aquáticas, Poliana manteve um domínio quase absoluto nas piscinas nacionais por cerca de 15 anos. Sob o comando de Ricardo Cintra, ela estabeleceu cinco recordes brasileiros em piscina e praticamente não perdeu provas de fundo no Troféu Brasil e no Troféu José Finkel — somando apenas reveses pontuais para Ana Marcela Cunha e, já na reta final da carreira, para Viviane Jungblut nos 800m livre.

A versatilidade da atleta rendeu momentos emblemáticos ao treinador, como vitórias sobre Joana Maranhão nos 400m livre e um terceiro lugar expressivo nos 200m livre em 2011, na piscina da Unisanta, batendo mão a mão com especialistas de velocidade como Tatiana Lemos e Manuella Lyrio.

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