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Ricardo Cintra: os bastidores de treinar Poliana Okimoto

Em entrevista à Natação Stemma, o treinador detalha a pressão diária, as 21 altitudes e a conquista da medalha olímpica.

Em conversa na Natação Stemma, Ricardo Cintra relembrou a intensa jornada de 15 anos como técnico e marido da medalhista olímpica Poliana Okimoto. Ele detalhou o desgaste físico e emocional do alto rendimento, os anos de tentativa e erro nas águas abertas e sua atuação atual na assessoria esportiva.

A trajetória que levou Poliana Okimoto ao pódio olímpico na maratona aquática nos Jogos do Rio 2016 teve um comando técnico e pessoal muito específico. Durante 15 anos, Ricardo Cintra acumulou dois papéis de alta exigência: o de marido e o de treinador responsável por planejar cada detalhe da rotina de uma das maiores atletas do esporte brasileiro. Em entrevista ao podcast Natação Stemma, Cintra detalhou como funcionava essa dinâmica diária e a entrega integral exigida pelo esporte de elite.

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Dedicação integral e a logística de uma campeã

Diferente de técnicos que encerram o expediente ao final do treino na borda da piscina, a rotina de Cintra estendia-se por 24 horas dentro de casa. O objetivo era blindar a atleta de desgastes extracampo para que ela pudesse focar apenas em nadar, descansar e se alimentar. Cintra assumia negociações com patrocinadores, alinhamentos com a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), acompanhamento em sessões noturnas de fisioterapia e massagem, além do controle rigoroso de horários de suplementação.

Esse nível de exigência foi refinado ao longo de três ciclos olímpicos. Em Pequim 2008, a falta de experiência na maratona aquática pesou contra a dupla. Em Londres 2012, a mudança para o Rio de Janeiro gerou desgaste ao afastar a nadadora do convívio familiar. Para o Rio 2016, no entanto, todo o planejamento foi ajustado minuciosamente para evitar qualquer margem de erro, culminando na histórica medalha de bronze.

Ricardo Cintra: os bastidores de treinar Poliana Okimoto

Oito anos de testes e o pioneirismo nas águas abertas

Quando começou a estruturar os treinos para maratona aquática, Cintra deparou-se com a escassez de metodologia científica voltada para a modalidade no país. A construção da periodização foi feita na prática, identificando carências como força e propulsão de perna para suportar os metros finais das provas.

O treinador calcula que foram necessários oito anos de tentativa e erro até dominar completamente a montagem de macrociclos e microciclos para o alto rendimento nas águas abertas. Dentro desse processo, a aclimatação tornou-se um dos pilares: Cintra acumulou 21 períodos de treinamento em altitude ao longo de 15 anos, estabelecendo protocolos que serviram de referência para outros técnicos e seleções nacionais.

O impacto emocional da dupla jornada

A ligação conjugal amplificou a carga emocional em cada competição internacional. Cintra relata que a tensão acumulada gerou problemas físicos, como gastrite severa e refluxo que exigiu intervenção cirúrgica anos mais tarde.

Durante o Campeonato Mundial de Barcelona, em 2013, o estresse atingiu o ápice físico. Ao acompanhar a chegada acirrada que garantiu a vitória de Poliana, o técnico sofreu uma forte cãibra no diafragma e travamento muscular por conta do nervosismo, precisando sentar para não perder a consciência durante a comemoração.

Outros atletas e a transição para a assessoria amadora

Embora seu nome seja amplamente associado a Poliana Okimoto, Cintra também formou e lapidou outros nadadores expressivos. Ele comandou nomes como Matheus Masami — que registrou 3m43s nos 400m livre em piscina curta e figurou no top 5 mundial — além de Monique Peres, Matheus Bertazzoli e o jovem Caio Viana, revelado nas categorias de base do Juventus e posterior destaque no nado costas.

Após a conquista da medalha olímpica no Rio 2016, Cintra encerrou o ciclo no alto rendimento. Ele ainda passou três anos trabalhando com categorias de base, mas encontrou sua realização profissional definitiva no atendimento a atletas amadores e triatletas através da assessoria Okimoto & Cintra, deixando para trás a rotina de desgaste do esporte olímpico.

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