Por que atletas de trail buscam provas cada vez mais difíceis
Shubi Guimarães e Sidney Togumi debatem o apelo do terreno extremo e a superação pessoal na montanha.
Em conversa no XTREMMA Sports, Shubi Guimarães e Sidney Togumi discutem a tendência dos corredores de montanha em priorizar altimetria e desafios técnicos em vez de percursos planos. A atleta também detalhou a estratégia que a levou ao pódio da La Misión aos 50 anos.
Com a popularização crescente das provas de endurance, como maratonas e provas de Ironman tradicionais, o universo do trail running observa um movimento claro: a busca incessante por percursos extremos. Em um trecho do episódio 21 do podcast XTREMMA Sports, que também debate o cenário regulatório e a evolução do esporte com Sidney Togumi, os atletas discutiram como o corredor de montanha aprendeu a valorizar a dificuldade técnica e a altimetria acumulada.
A procura pela dificuldade e a fuga do plano
Para Sidney Togumi e Shubi Guimarães, o apelo de uma prova de montanha está diretamente ligado ao grau de desafio que ela impõe. Provas com percursos mais planos ou altimetrias modestas, ainda que localizadas em cenários paradisíacos fora do eixo Sul-Sudeste, muitas vezes enfrentam resistência para atrair atletas de fora justamente por não oferecerem o nível de exigência técnica esperado para justificar a viagem.
Como Shubi costuma pontuar, 'o mundo não é plano'. A recompensa visual e a sensação de conquista no trail running dependem justamente de vencer a inclinação. O verdadeiro impacto da paisagem — o chamado momento de contemplação na montanha — só existe quando se conquista o topo após um esforço real de subida.
O valor da jornada além da medalha
A discussão também abordou a relação emocional do atleta com o pódio. O resultado esportivo em si e as medalhas têm uma memória curta no circuito, mas o aprendizado e a superação envolvidos no processo de preparação permanecem como o verdadeiro valor do endurance.
Essa busca por superar limites levou Shubi a encarar novamente a La Misión, na Serra Fina, um dos percursos mais duros do calendário nacional. Depois de sofrer no ano anterior com cãibras generalizadas e quebrar nos quilômetros finais de descida após a Casa de Pedra, a corredora traçou uma preparação minuciosa para corrigir cada falha.
Estratégia, maturidade e pódio na Serra Fina
Aos 50 anos, a estratégia montada para a prova de 35 km envolveu visualização diária de cada trecho de 500 metros durante um mês, controle rigoroso de ritmo nas subidas e uma nutrição muito mais agressiva ao longo do trajeto.
Ao dosar a velocidade nas subidas — ponto forte em que costumava exagerar no ritmo — e ingerir o triplo de calorias e hidratação adequada, Shubi preservou as pernas para a descida técnica final. A meta inicial era apenas terminar sem colapso muscular e buscar um top 10, mas a execução consistente rendeu a 5ª colocação geral feminina na prova.