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O perigo do despreparo e a segurança no trail running

Shubi Guimarães e Sidney Togumi debatem a falta de autonomia dos atletas e a importância real dos itens de segurança.

A popularização do trail running trouxe um desafio crítico para as montanhas: atletas fisicamente aptos, mas sem nenhuma noção de autonomia e segurança. Em conversa no XTREMMA Sports, Shubi Guimarães e Sidney Togumi discutem os riscos do despreparo e o papel vital do equipamento obrigatório.

O crescimento do trail running no Brasil tem atraído uma legião de novos corredores para terrenos técnicos e montanhas desafiadoras. No entanto, o aumento no número de inscritos acende um alerta urgente sobre a segurança: muitos atletas chegam para disputar provas extremas sem entender a complexidade do ambiente ou a real necessidade de autonomia.

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Autonomia não se mede apenas pelo preparo físico

Durante o episódio do XTREMMA Sports, Sidney Togumi e Shubi Guimarães destacaram que o condicionamento físico até pode ser filtrado pelos pontos de corte de uma prova, mas a capacidade de sobrevivência e tomada de decisão diante de imprevistos ainda é um grande gargalo. Em locais isolados como a Serra Fina, onde acontece a La Misión, estar forte fisicamente não garante que o atleta saiba agir caso enfrente chuva forte, queda brusca de temperatura ou um acidente na Pedra da Mina.

Shubi relatou situações preocupantes que presenciou nos grupos de inscritos da prova, com participantes perguntando sobre o uso de capas de chuva simples em vez de anoraks adequados com costuras seladas. Para ela, a falta de familiaridade com o ambiente de alta montanha coloca corredores em risco direto, já que muitos encaram 35 km na serra com a mesma mentalidade de uma corrida no asfalto.

O perigo do despreparo e a segurança no trail running

A ilusão das distâncias e a dura realidade da montanha

A facilidade de acesso às inscrições e a pressa em subir de distância criam cenários perigosos. Shubi lembrou que muitos atletas, ao não encontrarem vagas em percursos curtos de 25 km, simplesmente migram para distâncias de 55 km ou 80 km sem qualquer preparo prévio. Sidney pontuou que o camp oficial da prova serviu como um choque de realidade: após vivenciarem a travessia da Serra Fina, dezenas de corredores solicitaram imediatamente a redução de suas distâncias.

O resgate em montanhas não é simples como na cidade. Sidney lembrou de episódios extremos, como um participante que em 2014 pediu para chamar um táxi no meio da crista da serra, no trecho conhecido como Maracanã. Em trilhas fechadas ou cumes, qualquer evacuação exige esforço manual de equipes de resgate por horas a fio, tornando a negligência individual um risco coletivo.

Equipamento obrigatório é o mínimo, não o máximo

A experiência também ensina pelas vias mais duras. Shubi compartilhou que, no início de sua trajetória nas corridas de aventura, durante o Eco Motion de 2003 na Chapada Diamantina, cortava partes do cobertor térmico para aliviar gramas da mochila, até enfrentar um quadro severo de hipotermia na Subida da Fumaça.

Desde então, a lição ficou clara: a lista de equipamentos obrigatórios não representa o teto do que se pode carregar, mas sim o piso inegociável de segurança. Além de reforçar o uso correto de agasalhos e mantas térmicas intactas, Shubi destacou a importância de levar medicamentos essenciais, como anti-histamínicos (a exemplo de prednisona e hidroxizina), vitais para conter reações alérgicas graves a picadas de insetos no meio do nada.

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