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A evolução de Shubi Guimarães na organização de provas

Do temido Mundial no Pantanal ao circuito Bota pra Correr, Shubi reflete sobre maturidade técnica e democratização.

Em conversa com Sidney Togumi, Shubi Guimarães detalha a mudança de mentalidade na organização de provas de aventura e corrida. Ela relembra a logística extrema do Mundial no Pantanal e a transição para eventos mais democráticos.

A experiência e a maturidade transformam a visão de quem planeja percursos no esporte outdoor. Em bate-papo no XTREMMA Sports com Sidney Togumi, Shubi Guimarães relembrou como sua mentalidade como organizadora de provas evoluiu ao longo dos anos, saindo de um modelo extremamente técnico e punitivo para formatos mais conscientes e inclusivos.

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O desafio extremo do Mundial de Aventura no Pantanal

No início de sua trajetória como organizadora, Shubi admitiu que costumava superestimar a capacidade do pelotão. O parâmetro era a sua própria vivência como atleta de ponta: se ela conseguia cruzar uma serra ou superar determinado terreno, assumia que todos os participantes também seriam capazes. Essa abordagem atingiu o ápice quando ela assumiu a organização do Campeonato Mundial de Corrida de Aventura no Pantanal.

Naquela prova, 70 quartetos largaram em uma das regiões mais inóspitas e selvagens do planeta. Sem grandes variações de altimetria, a dificuldade veio do terreno alagado constante, do isolamento e da convivência direta com a fauna local. Nomes históricos da modalidade como Nathan Fahey, Chris Forne e Mikael Lindnord consideram o Pantanal uma das etapas mais duras da história do esporte, comparável apenas ao Mundial de 2005 na Nova Zelândia.

A evolução de Shubi Guimarães na organização de provas

Para a organização, a operação exigiu um resgate e monitoramento complexo no meio do nada para garantir que todos voltassem em segurança. A tensão de administrar a segurança de quase trezentos atletas resultou em um desgaste físico e mental intenso, funcionando como um divisor de águas para que Shubi reajustasse seus parâmetros de viabilidade técnica.

A adaptação ao novo mercado e o Bota pra Correr

Com a expansão do público de corrida e a transição de mais atletas do asfalto para a natureza, o perfil dos eventos precisou acompanhar essa mudança de comportamento. A atuação de Shubi à frente das etapas do circuito Bota pra Correr, da Olympikus, sintetiza essa nova fase.

O foco do circuito é apresentar diferentes regiões do Brasil pela ótica da corrida, sem foco em recordes pessoais ou percursos extremos, mas sim na experiência de viagem e conexão com os destinos. Para atender corredores que estão migrando da rua para a trilha, os percursos passam a contar com maior suporte de hidratação, altimetria dosada e estrutura segura.

Os perigos reais nas trilhas brasileiras

Ao abordar a segurança e o medo de animais selvagens em provas no Brasil, Shubi destacou que a fauna nativa de grande porte, como onças e jacarés, raramente ataca humanos sem provocação direta. A convivência tranquila de atletas que cruzaram o Pantanal e avistaram predadores sem incidentes exemplifica essa dinâmica.

Para a organizadora, o maior risco real e imprevisível nas trilhas nacionais envolve os insetos, em especial os enxames de abelhas. Por terem comportamento agressivo coletivo e capacidade de perseguir deliberadamente os corredores, incidentes com abelhas representam a principal preocupação técnica de segurança médica e logística em eventos ao ar livre.

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