Mulheres no esporte: escuta real vale mais que orçamento
Karina Barcellos defende autonomia e pesquisa profunda para atender as diferentes realidades femininas pelo Brasil.
Em debate sobre a presença feminina no esporte, Karina Barcellos destaca a importância de dar autonomia e ouvir as mulheres antes de criar projetos. O olhar regional e a pesquisa de base superam ideias prontas de marketing.
Ao imaginar um cenário com orçamento ilimitado para impulsionar a presença feminina na atividade física, a resposta de Karina Barcellos vai na contramão de fórmulas prontas. Em vez de despejar milhões em campanhas corporativas fechadas, a prioridade máxima deveria ser a escuta ativa e o investimento em pesquisa para entender o que as próprias mulheres realmente desejam e precisam. O debate fez parte de sua participação no canal da Stemma Sports, em episódio que também aborda a transformação do mercado da corrida.
Menos vaidade de marketing, mais autonomia
No ambiente corporativo, é comum que marcas criem projetos com conceitos impecáveis na teoria, mas que fracassam no momento em que chegam às ruas. Karina ressalta que a cabeça do profissional de marketing muitas vezes acredita ter uma solução perfeita, mas esquece de checar a aderência prática com quem está na ponta. Por isso, a proposta central é investir em espaços e iniciativas que garantam autonomia, permitindo que as próprias praticantes desenhem soluções esportivas sob medida para suas rotinas.
A pluralidade de realidades pelo Brasil
Outro pilar essencial dessa abordagem é reconhecer a diversidade regional do país. As barreiras, a infraestrutura e os desafios diários de uma corredora ou atleta no Pará são completamente diferentes das vivências de quem treina em Florianópolis ou na capital paulista. Desenvolver programas esportivos de impacto duradouro exige respeitar essas disparidades de acesso em vez de tentar aplicar um modelo único para todo o território nacional. Somente após essa escuta aprofundada é que faz sentido pensar em estratégias de amplificação e marketing.