Criadores de conteúdo e autenticidade na corrida
Karina Barcellos explica como marcas avaliam o engajamento real e o valor das comunidades além da estética perfeita.
Entenda como marcas esportivas analisam criadores de conteúdo na corrida de rua. Karina Barcellos destaca por que a conexão real com a comunidade vale mais do que perfis pasteurizados pela estética.
O crescimento do universo da corrida nas redes sociais trouxe uma enxurrada de criadores de conteúdo, novos formatos e tendências estéticas. Diante de um mercado cada vez mais disputado, a busca por parcerias com marcas esportivas levanta uma dúvida constante: o que realmente define o valor de um perfil para além do número de seguidores?
A força da comunidade sobre os recortes de tela
Com experiência acumulada em gigantes do mercado esportivo como Centauro e ASICS, Karina Barcellos pontua que a avaliação de um criador vai muito além do visual apresentado no feed. Como as redes sociais mostram apenas recortes editados da realidade, a análise das marcas foca primordialmente na resposta do público ao redor daquele perfil.
O termômetro determinante para uma marca não é a pose calculada, mas a qualidade dos comentários, o nível de engajamento genuíno e como a comunidade reage às publicações. Em vez de avaliar apenas a estética do conteúdo, busca-se entender se as interações transmitem verdade ou se são apenas respostas automáticas a personagens criados para atrair patrocínios.
A saturação da estética clean girl e o valor da vida real
A padronização visual nas redes sociais — marcada por produções excessivamente limpas e pasteurizadas — gerou uma sensação de repetição no mercado esportivo. Segundo Karina, a sociedade tem demonstrado cansaço dessa perfeição artificial, abrindo espaço para uma valorização maior do cotidiano real de quem pratica o esporte.
Essa postura de romper com padrões estéticos reflete-se tanto nas estratégias de marketing quanto nas ações de relacionamento. Uma prática destacada é a inclusão de corredores do dia a dia em eventos e ativações de marcas — pessoas com comunidades pequenas, de mil ou dois mil seguidores, mas altamente engajadas e presentes no asfalto.
Mostrar o cansaço do treino, a rotina de trabalho, os perrengues no transporte público e a vida sem filtros funciona como um catalisador de identificação. Para Karina, a mudança no comportamento coletivo começa pelo conteúdo individual, substituindo posts milimetricamente ensaiados pela verdade da rotina de quem corre.