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Por que a execução perdeu valor para as agências com a IA

Renato Abdo defende que o repertório e a densidade intelectual substituíram a capacidade técnica como diferencial competitivo.

Com plataformas no-code e inteligência artificial barateando a produção técnica, agências precisam focar em estratégia e repertório humano. Renato Abdo analisa a perda de valor da mera execução e a necessidade de pensamento crítico no mercado publicitário.

Renato Abdo, criador da agia e fundador da Dialeto, analisou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, as transformações provocadas pela inteligência artificial na rotina e no modelo de negócios das agências de publicidade. O debate, parte de uma discussão mais ampla sobre comunicação e tecnologia, aborda como a automação de entregas operacionais exige uma postura consultiva e estratégica dos profissionais.

No vídeo acima, Abdo e Bruno detalham o contraste entre a facilidade de gerar entregas por meio de ferramentas digitais e o esforço analítico necessário para avaliar se essas entregas realmente resolvem os problemas de negócio de uma marca.

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A padronização gerada pelas plataformas

Com ferramentas modernas de criação e desenvolvimento no-code ou low-code, projetos complexos que antes demandavam meses e centenas de milhares de reais passaram a ser construídos em dias com custos reduzidos. Diante desse cenário, Abdo pontua que a mera execução deixou de ser a fonte primária de valor no mercado de comunicação: "A gente tem que ter gente pensando, porque execução, execução deixou de ser o ponto, deixou de ser o valor".

Para Abdo, quando o profissional não possui domínio sobre fundamentos de áreas como UX e UI, ele tende a aceitar passivamente qualquer entrega gerada por sistemas automatizados. Como os modelos operam a partir de bases de dados padronizadas, comandos semelhantes tendem a gerar resultados quase idênticos para marcas diferentes. "Se eu usar a Lovable para fazer um negócio, você usar a Lovable para fazer um negócio, e a gente usar um prompt parecido, vai vir um site muito parecido", afirma Abdo.

Por que a execução perdeu valor para as agências com a IA

A metáfora da pilotagem e a atenção constante

Abdo compara a dinâmica atual da publicidade a um cenário de risco contínuo, onde o acompanhamento estratégico precisa ser ininterrupto. Segundo ele, o modelo tradicional da mídia operava como pilotar um avião, com alto esforço de decolagem seguido por navegação em piloto automático. No ambiente digital hipercompetitivo, a dinâmica exige presença ativa constante.

"Marketing digital ele é que nem dirigir moto na chuva na Rebouças", compara Abdo. "Se você tirar a mão do guidão, você bate, você se ferra". O papel do consultor, segundo ele, consiste em saber diagnosticar os gargalos quando a presença digital existe e está executada, mas não traz resultados concretos de vendas ou retenção.

Densidade intelectual em vez de comandos prontos

Diante da evolução das interfaces de IA, a contratação de profissionais nas agências deve priorizar a bagagem cultural e a capacidade analítica em detrimento de habilidades mecânicas. Abdo argumenta que o mercado não deve buscar quem apenas sabe operar uma ferramenta, mas quem possui critério para orientar a tecnologia.

"Você não vai contratar um cara porque ele sabe fazer. Você vai contratar o cara pelo repertório dele", destaca Abdo. Para ele, o foco do mercado em ensinar estruturas rígidas de prompts é um caminho limitado: o aprendizado real reside em saber pensar estrategicamente para direcionar o uso das ferramentas.

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