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O futuro das agências e da criação na era da IA

Renato Abdo analisa o impacto da inteligência artificial no mercado publicitário, o valor do design e a relevância da marca.

Em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, Renato Abdo discute as transformações no mercado de agências provocadas pela inteligência artificial. O debate aborda a perda de valor na execução técnica, a importância da construção de marca frente à performance e os desafios da criatividade na publicidade.

Renato Abdo, estrategista de negócios da Lipicó e fundador da Dialeto, participou do Marketing - The Podcast em conversa com Bruno Gimenes para analisar o cenário das agências de comunicação, a evolução do marketing digital e o impacto da inteligência artificial na rotina criativa e estratégica das empresas.

O episódio completo em vídeo ilustra a trajetória do setor desde os primórdios da internet comercial até a consolidação das ferramentas generativas modernas.

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Início no digital e inovação fora da caixa

Abdo iniciou sua trajetória no marketing digital em 1996, período em que a internet comercial dava seus primeiros passos no Brasil e o trabalho era realizado em provedores de acesso, antes da consolidação das agências especializadas. Aquele contexto demandava experimentação contínua para desenvolver sites e formatos que ainda não possuíam manuais ou fórmulas estabelecidas no mercado.

Para Abdo, o processo genuíno de inovação exige disposição para assumir riscos e explorar caminhos fora do padrão tradicional do setor publicitário. Ao comentar sobre a postura necessária para desenvolver novas soluções, Abdo afirma: "a invenção, né, a criação de verdade, ela vem de você quebrar coisas que existem. Então, você tem que ser um pouco maluco".

O futuro das agências e da criação na era da IA

O uso de termos em inglês e o jargão do marketing

A proliferação de termos em inglês no vocabulário cotidiano da comunicação e dos negócios muitas vezes mascara conceitos literais e simples, criando barreiras de entendimento para profissionais de fora do segmento. Expressões como growth marketing, creator economy, CAC e CPL tornaram-se exigências de posicionamento dentro do mercado publicitário.

Abdo destaca que os profissionais frequentemente se sentem compelidos a adotar esses jargões para manter relevância e alinhamento com as tendências da indústria. Sobre essa dinâmica do setor, Abdo explica: "Normalmente, cara, o pessoal tem que começar a seguir, esse que é o grande negócio, porque tá fazendo tanto buzz em cima daquela palavra".

Saúde mental, desconexão e os problemas do brainstorming

A rotina acelerada e a sobrecarga de trabalho no ambiente das agências trazem impactos severos à saúde física e mental dos profissionais. Abdo relata sua própria experiência de reavaliação de prioridades, ressaltando que o bem-estar e o descanso são condições indispensáveis para a sustentabilidade da carreira e para a manutenção da capacidade inventiva.

O processo de geração de ideias depende de momentos de ócio e incubação no subconsciente, em vez de reuniões formais e estruturadas sob pressão. Crítico do modelo tradicional de ideação em grupo, Abdo pontua: "O brainstorm do jeito que as pessoas fazem não funciona, entendeu?". Para ele, dinâmicas em que equipes entram em salas sem preparo prévio tendem a produzir apenas pensamentos superficiais e já presentes no senso comum.

Picaretagem no mercado, valor do design e branding versus performance

O mercado de marketing digital enfrenta distorções causadas por promessas irreais de resultados em prazos curtos e pela atuação de agências focadas apenas em ganhos imediatos, sem compromisso com a retenção do cliente ou métricas de longo prazo. Paralelamente, os fundamentos conceituais clássicos do design visual foram progressivamente deixados de lado em favor de composições rápidas de peças publicitárias.

A dependência exclusiva de mídia de performance impõe limites ao crescimento das operações comerciais. Abdo enfatiza que os investimentos em tráfego pago encontram barreiras quando a marca não é trabalhada de forma consistente: "performance tem um platô, né? Você chega no momento que você atinge um platô, se você usar só performance". A sustentação do valor percebido exige a integração contínua entre construção de marca e conversão direta.

O futuro das agências de publicidade na era da inteligência artificial

Com o avanço da inteligência artificial generativa e de plataformas low-code, a execução técnica de tarefas operacionais, como desenvolvimento de interfaces e redação básica, tornou-se acessível e barata. Diante desse cenário, a execução pura deixa de ser o principal diferencial competitivo no fornecimento de serviços de marketing.

O valor das agências e dos consultores passa a residir na densidade intelectual, no repertório cultural e na visão estratégica aplicada à resolução de problemas complexos de negócios. Abdo reforça: "A gente tem que ter densidade intelectual nas agências. Você não vai contratar mais um cara, e aí fica para as agências da informação e fica para quem quer ser contratado pelas agências. Você não vai contratar um cara porque ele sabe fazer. Você vai contratar o cara pelo repertório dele".

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