Os dois erros mais comuns na medição de impacto social
Dihego Pansini analisa a transição de métricas de esforço para resultados reais e o papel da comunicação institucional.
Dihego Pansini aborda as falhas frequentes em projetos sociais corporativos e a necessidade de focar na transformação real antes da narrativa. O debate analisa métricas de resultado e o papel da comunicação como prestação de contas.
Dihego Pansini falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre os desafios de mensurar impacto social e os principais equívocos cometidos por empresas ao estruturar iniciativas comunitárias.
No vídeo acima, a discussão aborda como as organizações costumam ter facilidade para controlar investimentos internos, mas encontram um cenário de incerteza ao atuar em territórios e municípios. Pansini aponta que o modelo tradicional de acompanhamento social focava apenas no volume de recursos aportados ou no número bruto de participantes atendidos, métricas que já não respondem às demandas atuais de governança.
A mudança nas métricas de impacto
Pansini explica que a avaliação de projetos sociais passou a exigir indicadores de transformação efetiva, distanciando-se de números puramente quantitativos de atendimento. "Antes era assim: 'Quantas pessoas eu capacitei?' Hoje é assim: 'Quantas pessoas que com essa capacitação foram empregadas?' 'Quanto que aquele negócio, aquele empreendimento que nós investimos, aumentou de renda para aquela cooperativa, para aquela associação?'", pontua.
Para Pansini, o mesmo rigor se aplica a iniciativas em outras áreas, como a educação. Não basta verificar o investimento financeiro realizado, mas sim acompanhar se houve evolução pedagógica, melhoria na qualidade do ensino e reflexo direto no desempenho escolar dos alunos.
Os dois principais erros corporativos
Ao detalhar os desvios mais recorrentes na gestão de projetos sociais, Pansini resume o problema em duas frentes centrais. O primeiro erro consiste em realizar aportes sem definir previamente o objetivo de transformação social pretendido.
"Se antes construir relacionamento já era suficiente e hoje a gente tem essas outras camadas todas, não basta saber quantas pessoas eu capacitei, mas que tipo de mudança eu gerei, para você conseguir chegar nesse ponto, a primeira pergunta é assim: 'Qual a transformação que eu quero gerar?'", destaca Pansini. Sem essa definição preliminar, os indicadores perdem a função estratégica.
O segundo erro apontado por Pansini é a priorização da narrativa e da divulgação antes da consolidação do impacto real. A comunicação e o marketing não devem substituir o resultado prático, mas atuar após a definição clara de estratégia, objetivos e métricas de medição.
Comunicação como prestação de contas
Segundo Pansini, a divulgação de iniciativas sociais cumpre um papel legítimo quando atua como transparência e utilidade pública. "A narrativa, a comunicação, ela vem para gerar valor naquilo que você já definiu como estratégia", afirma.
Pansini ressalta que tornar as ações públicas permite que a sociedade e os moradores locais conheçam as oportunidades disponíveis e participem dos projetos. A comunicação institucional, portanto, fortalece a reputação e a percepção de valor ao operar como um instrumento de prestação de contas à comunidade.