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Como o ESG evoluiu da imagem para a viabilidade do negócio

Dihego Pansini analisa a transição do investimento social de ferramenta de percepção para fator crítico de operação.

A agenda ESG deixou de ser apenas um instrumento de imagem e relacionamento para se tornar parte central da sustentação financeira e operacional das empresas. Em conversa no Marketing - The Podcast, Dihego Pansini explica a necessidade de unificar reputação e impacto real. Entenda como o investimento social privado e a cobrança pública transformaram a gestão corporativa.

Dihego Pansini, economista, abordou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, como as estratégias de sustentabilidade e responsabilidade corporativa deixaram de operar como apêndices de comunicação para se integrarem diretamente à sobrevivência dos negócios. O episódio trata de diferentes frentes do desenvolvimento social e da governança corporativa, destacando a evolução da maturidade das organizações ao lidar com impacto e imagem.

Para Pansini, a discussão tradicional que contrapõe construção de imagem e transformação social reflete um estágio anterior do mercado. Organizações consolidadas compreendem que os dois elementos não competem entre si. No vídeo acima, é possível acompanhar a análise completa sobre as etapas de maturidade corporativa e os critérios práticos para avaliar as reais intenções das companhias.

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A união entre impacto e reputação

Ao avaliar a entrada de uma empresa em projetos socioambientais, Pansini destaca que o primeiro passo consiste em diagnosticar se a liderança ainda opera sob uma lógica binária ou se já superou essa barreira. "Acho que empresas que estão com grau de maturidade elevado hoje, não vão olhar esse tema com um um nenhum tipo de antagonismo, ou seja, eu não posso pensar em reputação ou impacto, mas pelo contrário, como é que eu unifico, né, essas duas coisas", afirma Pansini.

O montante de recursos mobilizado pelo setor reforça a centralidade dessa pauta no ambiente corporativo brasileiro. Segundo Pansini, dados de 2024 apontam que o investimento social privado no país atingiu a ordem de quase 6 bilhões de reais, demonstrando que o tema deixou a periferia das discussões financeiras para assumir relevância econômica de grande escala.

Como o ESG evoluiu da imagem para a viabilidade do negócio

Da doação à transformação estrutural

A perspectiva histórica explica como o foco das empresas mudou ao longo do tempo. Anteriormente, as iniciativas sociais eram atreladas quase exclusivamente a patrocínios pontuais, ações assistenciais e estratégias de relações públicas, sem exigência de métricas de mudança sustentada. "No passado, até então, os negócios, eu falo de muitos anos atrás, o social, ele era visto como instrumento de era um basicamente uma ferramenta de imagem e relacionamento", explica Pansini.

Nesse modelo antigo, Pansini pontua que bastava investir e obter retorno de percepção imediata, sem a obrigação de gerar transformação comunitária efetiva. O avanço da complexidade socioambiental, crises climáticas e paralisações operacionais forçaram uma revisão dessa abordagem, fazendo com que o descaso com o entorno gerasse prejuízos financeiros diretos.

O papel das redes sociais como amplificador de cobrança

A velocidade da circulação de informações em plataformas digitais alterou a relação de forças entre marcas e consumidores. "As redes sociais, elas acabaram virando um grande megafone", pontua Pansini ao comentar como falhas de postura ou campanhas inconsistentes geram crises de confiança imediatas.

Com o aumento da criticidade do público, a atenção se volta não apenas para a mensagem divulgada, mas para os métodos de produção e as condições humanas envolvidas na cadeia. Conforme pontua Pansini, a viabilidade do produto passa a depender da responsabilidade socioambiental demonstrada na prática da operação.

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