Investimento social privado e desenvolvimento local
Dihego Pansini analisa como o investimento social atua como catalisador econômico e garante a viabilidade do negócio.
Em debate no Marketing - The Podcast, Dihego Pansini explica por que o investimento social privado deixou de ser mera escolha reputacional para se tornar variável de viabilidade operacional. O economista detalha o impacto da geração de renda e da formalização no desenvolvimento dos territórios.
Dihego Pansini, economista, discutiu a relação entre grandes operações corporativas, geração de valor e impacto comunitário em entrevista a Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast. O debate abordou como a atuação de empresas e indústrias afeta diretamente a dinâmica econômica regional, superando visões puramente voltadas à gestão de imagem.
No vídeo acima, Pansini detalha os mecanismos práticos de articulação entre empresas, poder público e comunidades para estruturar iniciativas de impacto duradouro em diferentes regiões.
Impacto operacional e licença para operar
Pansini aponta que qualquer atividade humana estruturada gera impactos positivos e negativos no ambiente e na sociedade. Segundo ele, o reconhecimento dessa realidade é o primeiro passo para uma gestão responsável, citando como exemplo intervenções históricas em infraestrutura urbana e acadêmica que ocorreram sob réguas ambientais distintas das atuais.
Para além da percepção pública imediata, o foco das companhias migrou para fatores de continuidade. Pansini resume essa transformação: "Então, se antes eu precisava olhar para a reputação, comunicação e percepção, agora, falando dos negócios, eu falo de licença social para operar e gestão de riscos, né, direitos humanos, né, desenvolvimento territorial e ao final de tudo isso sustentabilidade do negócio". Sob essa ótica, "o social, ele deixa de ser uma escolha reputacional e ele passa a ser uma variável de viabilidade do negócio".
O investimento social como instrumento catalisador
A operação central de uma empresa — por meio de recolhimento de tributos, contratação de pessoal e compras locais — frequentemente carrega um peso socioeconômico superior ao montante isolado de projetos sociais. Para Pansini, o investimento social privado não deve ser encarado como compensação de danos, mas como alavanca do ecossistema.
"Muito pelo contrário, ele, ele deve funcionar como um instrumento catalisador", pontua Pansini. Ao investir na capacitação da mão de obra do entorno ou no fortalecimento de fornecedores locais, a empresa retém o capital dentro do território e dinamiza o comércio e os serviços da própria comunidade.
Pansini exemplifica a aplicação prática dessa abordagem: "Então, por exemplo, quando eu uso parte do investimento social para desenvolver alternativas de empregabilidade naquela localidade, ou de empreendedorismo que possa se beneficiar dessa renda que tá circulando ali naquela, eh, localidade, eu tô catalisando, né, o resultado que a empresa tá gerando naquele território".
Emprego formal e redução da vulnerabilidade
Ao abordar a superação da pobreza, Pansini destaca a centralidade do mercado de trabalho estruturado. Com base em dados do IBGE de 2024, ele observa que a população em situação de pobreza era composta primordialmente por 47% de desocupados, cerca de 20% de trabalhadores sem carteira assinada e apenas 6,7% de trabalhadores com carteira assinada.
A formalização e o cumprimento de padrões legais e trabalhistas pelas empresas operam, portanto, como agentes diretos de inclusão social, enquanto o investimento social atua na criação de condições adicionais de desenvolvimento para o território.