Wanderley Santos analisa trajetória e o autotreino na natação
Do início no esporte por conta da bronquite à rotina sem autossabotagem, treinador discute a disciplina nas piscinas.
Treinador e nadador experiente, Wanderley Santos compartilhou os bastidores de sua evolução nas piscinas e nas águas abertas. Ele detalha como construiu sua carreira desde o interior paulista e discute a mentalidade necessária para quem treina a si mesmo sem cair na autossabotagem.
A relação de Wanderley Santos com a natação começou cedo, impulsionada por um motivo clássico de infância: o tratamento de uma bronquite. Natural de São José do Rio Preto, no interior paulista, ele trilhou as categorias de base como um atleta regular, marcando presença em campeonatos paulistas e brasileiros. No entanto, sua verdadeira virada técnica e competitiva aconteceu mais tarde, já na categoria master após a conclusão da faculdade de Educação Física.
Dos testes pessoais ao circuito master
Ao sair da graduação, Wanderley passou a utilizar a si próprio como laboratório prático. Sem um treinador formal, assumiu a responsabilidade pela sua preparação e começou a testar metodologias e estruturas de treino no próprio corpo, período em que alcançou seus melhores desempenhos competitivos no circuito master.
Essa trajetória de experimentação prática e estudo contínuo permitiu que ele se consolidasse como treinador de alto rendimento em São Paulo, além de dividir o comando do programa Natação Stemma ao lado de Samir Barel.
A experiência com Samir Barel nos 10 km
Apesar de passar anos gerindo a própria planilha, Wanderley abriu uma exceção recente na sua rotina. Para a disputa de uma prova de 10 km em águas abertas promovida por Samir Barel, ele confiou sua preparação ao colega de bancada durante quatro meses.
A experiência funcionou bem porque ambos compartilham de uma filosofia similar de treino: foco em qualidade e consistência sem recorrer a volumes astronômicos para a maratona aquática. O planejamento estruturado com aquecimento progressivo, pré-série e bloco principal garantiu que Wanderley chegasse pronto para disputar posições de destaque na prova de longa distância.
O desafio do autotreinamento e a autossabotagem
Questionado pela bancada do Café com Tri sobre a dificuldade de muitos atletas e técnicos que tentam se autotreinar, Wanderley pontuou que o grande obstáculo quase sempre reside na autossabotagem. Em geral, treinadores que falham ao montar o próprio treino acabam fugindo dos estímulos mais desgastantes ou negociando intensidade.
Para ele, a chave do autotreino está no compromisso rígido com o que precisa ser feito. Wanderley explicou que muitas vezes define a combinação exata de repetições durante o aquecimento na água, mas sem abrir mão da meta fisiológica do dia — seja uma sessão longa de rodagem ou um bloco extenuante de VO2 máximo, entregando a planilha com o mesmo rigor exigido de seus alunos.