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Alongar a braçada ou subir a cadência no fim do Ironman?

Wanderley Santos explica por que insistir no deslize quando bate o cansaço pode travar o deslocamento na natação.

Na reta final da natação em provas longas de triatlo, muitos atletas tentam alongar a braçada para poupar energia. Em participação no Café com Tri, o treinador Wanderley Santos analisa o impacto da fadiga na mecânica e defende a cadência como aliada para manter a propulsão.

É uma cena clássica nas margens das provas de longa distância: o triatleta entra na reta final dos 3.800 metros de natação, sente o peso do cansaço muscular e ouve o conselho de alongar a braçada para deslizar mais na água. A intenção teórica parece boa, mas a aplicação prática em momentos de exaustão extrema divide opiniões entre treinadores e atletas de alto rendimento.

No programa Café com Tri, da Stemma Sports, o treinador Wanderley Santos destrinchou essa dinâmica. Ele explicou que a escolha entre priorizar o comprimento da braçada ou sustentar uma cadência mais alta no fim da prova depende diretamente do nível técnico do nadador e de como o corpo reage à perda de eficiência postural sob fadiga.

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O que acontece com o corpo quando o cansaço bate

Quando a fadiga muscular se instala na etapa aquática, os vícios técnicos vêm à tona de forma imediata. Nadadores exaustos tendem a levantar excessivamente a cabeça para respirar, o que afunda o quadril e enfraquece a ativação do core. Como consequência, as pernas se abrem e criam um verdadeiro efeito de paraquedas, gerando arrasto hidrodinâmico excessivo.

Outro erro comum apontado por Wanderley é o encurtamento da entrada do braço. Com os ombros pesados, a mão passa a entrar muito perto da cabeça, e o movimento de estender o cotovelo por baixo d'água atua como um freio. Nesse sentido, a recomendação de buscar a entrada da mão o mais à frente possível ajuda a corrigir a geometria da braçada, mas não significa necessariamente desacelerar o ciclo para tentar deslizar.

Alongar a braçada ou subir a cadência no fim do Ironman?

O mito da braçada longa a qualquer custo

Existe uma crença comum de que quanto maior o comprimento da braçada e menor o número de ciclos, mais eficiente é o deslocamento. Essa lógica costuma ser associada a métricas como o SWOLF (junção de swim e golf), presente em relógios esportivos para calcular a eficiência pela soma do tempo e da quantidade de braçadas.

Contudo, buscar uma braçada excessivamente longa quando a força já se esgotou pode ter o efeito oposto. Tentar segurar o deslize sem suporte muscular cria pontos mortos na propulsão: no momento em que o braço fica parado à frente sem aplicar tração, a velocidade cai e o corpo começa a frear. Em contrapartida, elevar ligeiramente a frequência de braçadas reduz a exigência de força bruta por ciclo, mantendo a inércia do deslocamento contínua.

Avaliação individual em piscina infinita

Para determinar a zona ideal de cada atleta, Wanderley realiza testes biomecânicos na piscina infinita (Endless Pool) da Care Club. Fixando um ritmo constante (como 1:30/100m), o treinador varia as velocidades e testa o nadador em diferentes frequências de ciclo — desde cadências mais baixas e compridas até giros mais rápidos.

O cruzamento da percepção subjetiva de esforço com a resposta da frequência cardíaca indica onde o atleta gasta menos energia. Para alguns perfis, girar o braço mais rápido representa menor custo cardiorrespiratório e menos desgaste mecânico, enquanto outros conseguem sustentar o apoio longo sem perder a sustentação do quadril.

Por que a frequência sustenta o ritmo do triatleta

Na realidade da maioria dos atletas amadores que encaram a distância cheia de um Ironman, a técnica é a primeira valência a ruir nos quilômetros finais. Manter o cotovelo alto, a pegada firme e a linha hidrodinâmica impecável sob exaustão exige um lastro de natação que poucos triatletas possuem.

Quando o atleta não tem força para manter a alavanca lá na frente, forçar o alongamento faz com que ele perca o apoio na água e despenque a posição corporal. Nesses cenários, trabalhar previamente a frequência de braçadas nos treinos de piscina garante uma ferramenta essencial para a prova: girar com ritmo para não deixar o barco parar quando o cansaço apertar.

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