Como usar palmar e pé de pato sem se autossabotar no treino
Wanderley Santos explica por que acessórios servem para força e técnica, e não como muleta para baixar tempo na piscina.
Acessórios como palmar, nadadeiras e flutuador são ferramentas valiosas, mas exigem propósito claro no treino de natação. Wanderley Santos destaca o papel dos equipamentos no ganho de força específica e alerta contra o uso como facilitador.
É uma cena clássica na rotina de quem treina endurance: o treino de natação cai no meio do dia, muitas vezes como a segunda sessão da planilha, quando o corpo já acumulou o cansaço do pedal ou da corrida matinal. Diante do desgaste, a tentação de recorrer a facilitadores é imediata. Enquanto na corrida e na bike não há como escapar do esforço, na água basta colocar um flutuador, calçar o pé de pato ou encaixar o palmar para mascarar a fadiga e completar as séries.
O risco dos facilitadores na série principal
Essa dinâmica pode se transformar em uma armadilha de autossabotagem quando o atleta usa materiais apenas para cumprir os tempos da planilha. No podcast Café com Tri, o treinador Wanderley Santos destacou que o papel dos acessórios na piscina deve ter propósito técnico e fisiológico bem definido, e não servir como muleta para inflar médias de velocidade.
Na visão de Wanderley, o pé de pato deve ser direcionado para o trabalho específico de perna e alinhamento corporal, e não para transformar um ritmo de 1:20 em 1:12 nos 100 metros sem esforço real. Da mesma forma, o palmar atua como agente corretivo e de sobrecarga muscular, e não como recurso para aliviar a exigência da série principal. Quando o material entra na água apenas para compensar o cansaço, o estímulo planejado para a sessão é comprometido.
Força específica dentro d'água
Para além da correção técnica, o palmar se destaca como a principal ferramenta para o desenvolvimento de força específica na natação. Wanderley cita estudos que compararam diferentes recursos de sobrecarga no meio aquático — como sungas de arrasto, paraquedas, elásticos e flutuadores —, apontando o palmar com os melhores resultados para o ganho de força propulsiva.
O trabalho com palmar funciona como uma musculação específica para os membros superiores, sendo muito explorado por quem busca potência de tração e durabilidade muscular. A regra de ouro é a intencionalidade: cada acessório deve entrar na água para cumprir uma função biomecânica clara, garantindo que o ganho no treino se traduza em rendimento consistente nas provas.