Volume na maratona: mais quilômetros ou foco no descanso?
Ed Silva e Júnior Double debatem o impacto da quilometragem semanal, a rotina do amador e o papel do fortalecimento.
Aumentar a quilometragem semanal realmente garante melhor desempenho na maratona? Em conversa no Stemma Podcast, Ed Silva e Júnior Double analisam o equilíbrio entre volume de corrida, fortalecimento muscular e a rotina do atleta amador.
O debate sobre o volume semanal ideal para a maratona divide corredores amadores e treinadores. Enquanto estudos e planilhas tradicionais apontam forte correlação entre alta quilometragem e melhora nos tempos, a realidade da rotina profissional impõe limites claros sobre o que o corpo consegue assimilar e recuperar.
Baixo volume e alta performance: o caso dos 2h29
Para o maratonista amador Ed Silva, os melhores resultados vieram justamente com uma rodagem considerada baixa para o nível de rendimento. Ao cravar a marca de 2h29 nos 42 km, sua média semanal girava entre 80 km e 90 km, raramente atingindo 100 km e dividida em quatro a cinco dias de treino na semana. A estratégia priorizava qualidade e recuperação muscular acelerada.
A pedido de seu treinador, Marcos Paulo, Ed iniciou testes elevando a carga para 120 km a 130 km semanais. Embora uma temporada de treinos no Quênia tenha chegado a marcas de 150 km a 160 km sem sobrecarga aparente, o contraste apareceu no retorno ao Brasil. Em uma rotina com expediente formal em regime CLT e deslocamentos diários, manter a alta quilometragem sem o descanso passivo dos atletas profissionais cobrou um preço alto em fadiga física e mental.
Fortalecimento, pilates e prevenção articular
Além da gestão de quilometragem, a inclusão de trabalhos de força surge como pilar indispensável para sustentar a longevidade nas provas longas. Para o ultramaratonista Júnior Double, a introdução do pilates foi determinante para a evolução e manutenção da mobilidade, sobretudo no manejo da condromalácia patelar e na sustentação mecânica.
Segundo Júnior, priorizar sessões curtas de funcional, musculação ou pilates em dias de cansaço extremo entrega mais benefícios à saúde articular do que insistir em rodagens sob estafa. O excesso de treinos executados no limite do overtraining pode comprometer a cartilagem e antecipar lesões graves.
A armadilha do vício e a disciplina do descanso
A cultura de correr todos os dias muitas vezes afasta o atleta da recuperação necessária. No Quênia, como relatou Ed Silva, o domingo é tratado como dia de descanso absoluto — nenhum atleta roda ou realiza atividade complementar, focando exclusivamente na regeneração muscular para o ciclo seguinte.
Saber dosar os dias de descanso, abrir mão de quilômetros vazios e respeitar os compromissos da vida fora do esporte são fatores tão determinantes para cruzar a linha de chegada quanto a planilha de treinos.