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Projeto Boston 130 reúne relatos e bastidores da famosa prova

Livro de Júnior Double compila trajetórias de 45 corredores, e Ed Silva relembra o sofrimento na gelada edição de 2018.

O livro Projeto Boston 130 reúne a trajetória de 45 atletas em diferentes fases do sonho de correr a tradicional prova norte-americana. Júnior Double e Ed Silva detalham a concepção da obra e relembram os desafios de encarar a maratona sob clima extremo.

A mística em torno da Maratona de Boston move milhares de corredores amadores e profissionais todos os anos em busca do tão sonhado índice ou da experiência de cruzar a famosa linha de chegada na Boylston Street. Essa jornada de dedicação, frustrações e conquistas ganhou registro detalhado no livro Projeto Boston 130, idealizado por Júnior Double.

A ideia da publicação nasceu a partir de um momento pessoal do próprio autor, que planejava disputar a histórica edição 130 da maratona, mas enfrentou problemas de saúde e dificuldades para conciliar o volume de provas e o ganho de velocidade. Para retratar a dimensão desse desafio coletivo, o projeto reuniu 45 pessoas envolvidas com o universo da corrida, trazendo depoimentos de nomes como Marcos Paulo, Jacques, Michel e Carlos Gueiros, do Radar Stemma.

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Dos aspirantes aos veteranos de 15 edições

A estrutura do livro foi organizada em módulos que refletem os diferentes momentos da relação dos atletas com a prova. Em um extremo estão os corredores apelidados de 'viciados', que já participaram de 9, 10 ou até 15 edições de Boston. No outro, aparecem histórias de quem demorou anos para conseguir o índice — como o próprio Júnior, que levou quatro anos, e atletas que batalharam por até oito anos —, além de pessoas que continuam treinando em busca da primeira classificação.

A proposta é mostrar a maratona sob múltiplos ângulos: a euforia de quem repete a tradição todo ano, a resiliência de quem enfrentou sucessivas tentativas até se qualificar e a persistência dos que ainda sonham com a largada em Hopkinton.

Projeto Boston 130 reúne relatos e bastidores da famosa prova

O teste de sobrevivência na tempestade de 2018

Ao comentar sobre a experiência no percurso, Ed Silva relembrou a sua participação na icônica edição de 2018, marcada por chuvas torrenciais, ventos fortes e temperaturas congelantes. A prova foi tão hostil que provocou o abandono de diversos corredores experientes da elite e do pelotão amador, levando muitos atletas a buscarem abrigo em cafés ao longo do caminho para fugir da hipotermia.

Para conseguir concluir os 42 km, Ed recorreu a mantas térmicas oferecidas nos postos médicos ao longo do trajeto. Depois de parar sucessivas vezes pelo frio intenso, decidiu amarrar a proteção térmica ao corpo durante o percurso e só retirou a manta na reta final, pouco antes de avistar o pórtico de chegada.

Entre as memórias daquele dia extremo compartilhadas na resenha, destaca-se a imagem de corredores usando sacos plásticos de lixo para cortar o vento gelado, como o amigo Alexandre Basso (o 'Suíço'), também presente no livro. Apesar da dureza e da impossibilidade de curtir o calor da torcida nas ruas em 2018, a experiência deixou vivo o desejo de retornar a Boston em condições normais para vivenciar a energia completa do evento.

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