Treinar só no mar: é possível evoluir e fazer grandes provas?
Renato Ribeiro quebra o mito da piscina e mostra como a estrutura do Posto 6 forma de iniciantes a ultramaratonistas.
A ideia de que para evoluir na natação é obrigatório passar anos na piscina não passa de mito. Renato Ribeiro explica como é possível iniciar, estruturar treinos com precisão e até cruzar o Canal da Mancha treinando quase que exclusivamente em águas abertas.
Existe uma crença arraigada no meio aquático de que um atleta só atinge alto nível nas águas abertas se tiver uma sólida formação prévia em piscinas. No entanto, para Renato Ribeiro, treinador e fundador da Equipe Navegantes, essa barreira não passa de um mito. É plenamente possível aprender a nadar, evoluir tecnicamente e encarar ultramaratonas treinando quase que exclusivamente no mar.
Apesar de o mar exigir mais atenção do que uma raia de piscina com bordas fixas e fundo visível, a escolha do local adequado viabiliza o trabalho de iniciação. Um exemplo emblemático é o Posto 6, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. A enseada protegida funciona quase como uma piscina natural, reunindo cerca de 2.500 nadadores por dia entre assessorias esportivas e atletas avulsos.
O triângulo do Posto 6 e a precisão das planilhas
Treinar em águas abertas não significa apenas entrar na água e nadar em linha reta sem rumo. No Posto 6, as assessorias utilizam uma demarcação estruturada em formato de triângulo com 300 metros de perímetro, contando com 100 metros entre as boias principais e uma boia intermediária de 50 metros.
Essa configuração geométrica permite executar qualquer planilha tradicional de natação com rigor. Sejam séries de tiros de 50 metros com ida e volta ou blocos de repetições de 100 metros rodando o circuito, o atleta consegue cumprir o volume e a intensidade prescritos exatamente como faria no ambiente controlado da piscina.
Da superação de limitações ao Canal da Mancha
Os resultados práticos comprovam a eficiência da metodologia. Um dos casos de maior destaque conduzidos por Renato Ribeiro foi o de dona Estela, que o procurou aos 72 anos, após sofrer dois AVCs e ficar com sequelas motoras no braço e na perna direitos. Realizando toda a preparação no mar ao longo de dois anos, ela completou a prova de 16 km da BISA.
A metodologia também se aplica ao ápice das travessias internacionais. O nadador Léo Natal realizou cerca de 99% de sua preparação nas águas do Posto 6 antes de concluir com sucesso a travessia do Canal da Mancha. A experiência demonstra que, com metodologia adequada e respeito às condições naturais, o mar oferece todas as ferramentas para formar desde o iniciante até o ultramaratonista.