Renato Ribeiro defende seriedade e ética nas águas abertas
Treinador rebate modismos da internet, aborda conduta profissional e relembra bastidores de grandes travessias.
Em dinâmica rápida no Natação Stemma, o treinador Renato Ribeiro destacou a seriedade como seu principal pilar técnico. O técnico da Equipe Navegantes abordou a importância da ética profissional, criticou modismos rasos nas redes e defendeu a união das maratonas aquáticas no Brasil.
No encerramento de sua participação no Natação Stemma, o treinador Renato Ribeiro, líder da Equipe Navegantes, participou do quadro de perguntas rápidas da atração e abriu o jogo sobre suas preferências, referências e a postura que adota à beira da praia. Entre respostas diretas — apontando a prova do Canal da Mancha como inesquecível, Fernando Possenti como técnico marcante e a aversão a provas com risco de tubarão —, Renato elegeu a seriedade como seu maior ponto forte na condução de atletas em desafios extremos.
Respostas rápidas no quadro Quebra Recordes
Durante a dinâmica conduzida pelos apresentadores Samir Barel e Wanderley Santos, Renato compartilhou preferências construídas em mais de duas décadas de beira de praia e piscina. O treinador destacou que gosta de trabalhar nos dois ambientes, tem predileção por treinar pela manhã e em mar lotado, e elegeu pescar como seu principal passatempo longe do esporte. Quando provocado sobre o que a natação representa em sua trajetória, resumiu em uma única palavra: conquistas.
A seriedade contra a 'blogueiragem' e o aliciamento
Ao detalhar o que entende por seriedade, Renato Ribeiro ressaltou que a transparência e o compromisso ético são inegociáveis em sua rotina. Para o treinador, o crescimento de conteúdos superficiais e promessas mágicas nas redes sociais tem gerado ruídos desnecessários na preparação esportiva, contrastando com o trabalho de profissionais e atletas experientes que constroem carreiras sólidas no mar.
Renato também frisou o respeito entre treinadores de águas abertas, condenando o aliciamento de atletas em competições e eventos. Segundo ele, mudanças de assessoria fazem parte da rotina esportiva, desde que ocorram com diálogo claro e encerramento correto do ciclo anterior, preservando o respeito mútuo entre os profissionais da modalidade.
Ajustes técnicos e o choque de realidade em Capri-Nápoles
Para ilustrar como a exigência técnica protege o próprio nadador, Renato relembrou um episódio com a atleta Pri Magalhães durante a preparação para a tradicional ultramaratona Capri-Nápoles. Ao observar uma nadadora alemã vencer uma prova de 1.500 metros em piscina com o nado conduzido, a atleta tentou replicar a mecânica por conta própria antes de viajar para a Itália.
Ao identificar a mudança na aclimatação, o treinador interveio de imediato para restabelecer o padrão adequado para o mar aberto. Conforme explicou, técnicas que funcionam em águas abrigadas ou distâncias curtas não sustentam o ritmo diante das correntes e ventos severos de uma travessia oceânica, reforçando que a cobrança firme do técnico existe exclusivamente para garantir a segurança e o rendimento do atleta na prova.
Chamado por capacitação e base no mar
Por fim, Renato Ribeiro defendeu uma aproximação maior entre os técnicos de maratona aquática no país. O treinador sugeriu a criação de iniciativas de capacitação contínua e intercâmbio de conhecimento para fortalecer a comunidade, além de incentivar o desenvolvimento das águas abertas desde as categorias infantis, aproximando crianças do mar para além do ambiente tradicional das piscinas.