Da Marinha ao futebol: como Renato Ribeiro escolheu o mar
Treinador trocou a preparação física no futebol pelas águas abertas e construiu a história da Equipe Navegantes.
Antes de se consolidar como referência nas grandes travessias aquáticas, Renato Ribeiro passou pela Capitania dos Portos e pela base do Botafogo. Em conversa no Natação Stemma, o treinador detalha o caminho que o levou a fundar a Equipe Navegantes.
A precisão com que Renato Ribeiro lê o mar antes de colocar um atleta na água não nasceu por acaso. Muito antes de liderar a Equipe Navegantes e conduzir nadadores a recordes no Canal da Mancha e pela Tríplice Coroa, o treinador construiu sua base observando o oceano de perto e atuando em cenários esportivos bem distantes das maratonas aquáticas, como a preparação física no futebol profissional.
A escola da Marinha e a leitura do oceano
A intimidade com o ambiente marinho começou ainda na infância, quando Renato já acompanhava pescarias em alto-mar aos 12 anos. Mais tarde, a experiência prática ganhou rigor técnico durante seu período na Marinha do Brasil, servindo na Capitania dos Portos. A bordo das lanchas de patrulha, ele participava da fiscalização e da análise minuciosa de condições de navegação em operações complexas, como as noites de Réveillon no litoral fluminense.
Essa rotina de avaliar correntes, vento e segurança de embarcações moldou a percepção que hoje aplica no treinamento esportivo. A capacidade de antecipar o comportamento do mar tornou-se uma das principais marcas registradas de seu trabalho, servindo de suporte estratégico constante para outros treinadores e atletas de ponta.
A passagem pelos gramados e a escolha vocacional
Durante a graduação em Educação Física, os passos de Renato pareciam apontar para o futebol. Ele trabalhou na preparação física das categorias de base e do elenco profissional do Nova Iguaçu — época em que Zinho comandava o time e Edmundo participava do projeto — e passou cerca de quatro anos nos juniores do Botafogo, atuando como auxiliar de Verdini, preparador físico da seleção brasileira sub-20.
Apesar das cobranças e dos conselhos de colegas para seguir no futebol devido ao retorno financeiro superior, a atração pelas águas falou mais alto. A decisão de migrar definitivamente para as águas abertas exigiu abrir mão da estabilidade no futebol para apostar em uma modalidade ainda em expansão no início dos anos 2000.
Da Rômulo Arantes ao nascimento da Navegantes
A virada definitiva começou em 2003, quando Renato ingressou como estagiário na Rômulo Arantes Nadadores, sediada no Sport Club Mackenzie, no bairro do Méier, no Rio de Janeiro, com atuação também no Alphaville Barra. Foi ali que ele começou a puxar os primeiros treinos no mar na Praia Vermelha.
Quando a academia encerrou a parceria com o clube, Renato assumiu a liderança do projeto de águas abertas diretamente pelo Mackenzie. Anos mais tarde, diante da necessidade de estruturar uma gestão técnica independente para os desafios no mar, o projeto deu origem à Equipe Navegantes entre 2008 e 2009. Federada por cinco temporadas e com presença assídua na Copa Brasil, a equipe se estabeleceu como um dos principais polos de formação e suporte a ultramaratonas aquáticas no país.