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A rotina e os sacrifícios de Roberto Fonseca no triatlo

Bicampeão vice-mundial de Ironman detalha renúncias na vida pessoal, fim do álcool e a busca diária pela consistência.

Roberto Fonseca detalhou no Café com Tri as concessões necessárias para brigar no topo do Ironman amador. O atleta abordou o impacto dos treinos longos na rotina com a família, as mudanças drásticas de hábitos e a linha tênue entre disciplina e obsessão.

Alcançar o topo do triathlon mundial na categoria amadora exige bem mais do que talento ou força de vontade; demanda uma engenharia minuciosa de tempo e escolhas diárias. Em conversa no Café com Tri, Roberto Fonseca abriu os bastidores da preparação que o levou a dois vice-campeonatos mundiais de Ironman em Kona, destacando as renúncias e os alinhamentos necessários para sustentar uma rotina de alta performance.

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Acordos em família e renúncias no dia a dia

A virada de chave de Roberto começou por volta de 2019, intensificando-se entre 2021 e 2022 após um bom resultado no Ironman Cozumel e a chance real de brigar pelas primeiras colocações no Havaí. Para encaixar o volume de treinos, o primeiro grande ajuste foi dentro de casa, em diálogo constante com a esposa, Juliana.

Com sessões de domingo na rodovia dos Bandeirantes que chegam a seis horas de ciclismo seguidas por uma hora e meia de corrida, o tempo dedicado à família precisou ser replanejado. Para compensar o impacto das ausências, Roberto buscou máxima eficiência profissional no trabalho corporativo e passou a preservar momentos essenciais com os filhos, como levá-los à escola e acompanhar treinos de natação.

A rotina e os sacrifícios de Roberto Fonseca no triatlo

Mudança drástica de hábitos e foco total

Conforme a exigência esportiva aumentou, Roberto entendeu que não fazia sentido a família abrir mão de momentos enquanto ele mantivesse hábitos de risco ou desgaste. Para evitar lesões que comprometessem o calendário, ele abandonou o futebol de fim de semana e o surfe. O convívio com amigos de longa data também foi remodelado para se adequar aos horários de sono e recuperação.

Outra mudança marcante foi o corte total de bebidas alcoólicas — uma decisão emblemática para quem já foi proprietário do Bar Municipal, na Vila Madalena, em São Paulo. A reorganização seguiu até a carreira: após deixar o cargo CLT em banco para atuar em projetos e consultoria, ele pôde incorporar cuidados extras fundamentais, como sessões regulares de fisioterapia, fortalecimento e maior atenção à qualidade do sono.

A linha tênue entre disciplina e obsessão

Questionado sobre o limite entre comprometimento e excesso, Roberto reconhece que flerta frequentemente com a obsessão para se manter competitivo. Tendo atingido o ápice físico após os 40 anos, ele mantém a consciência de que a consistência absoluta é o único caminho para compensar o biotipo e sustentar o ritmo limite durante as provas longas.

Essa regularidade quase ininterrupta fez com que, em determinados anos, Roberto somasse apenas nove dias inteiros sem treinar, frequentemente encaixando três modalidades em uma única jornada. Mesmo ciente do peso dessa dedicação, a rotina de treinos segue como uma necessidade mental e física indispensável para buscar a excelência no cenário mundial.

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