Roberto Fonseca: o início tardio e a transição para o triatlo
Sem base competitiva na infância, o atleta começou a pedalar perto dos 40 anos e trocou o futebol pelas provas longas.
Roberto Fonseca relembra como começou no triatlo de forma despretensiosa, após anos dividindo o tempo entre surf, remo e peladas de futebol. Veja como o atleta construiu sua base e migrou em definitivo para as provas de endurance.
Muita gente que acompanha a performance de ponta de Roberto Fonseca nas provas de longa distância imagina que ele carrega uma bagagem de atleta de alto rendimento desde a infância. No entanto, sua trajetória começou longe das pistas e do rigor competitivo. Em conversa no podcast Café com Tri (powered by Stemma), Roberto relembrou seu histórico multiesportivo informal e os primeiros passos que o levaram, anos mais tarde, ao universo do Ironman.
Infância multiesportiva, surf e o primeiro contato com Luiz Gandolfo
Durante a infância e juventude, Roberto não disputava competições oficiais. Sua família gostava de praticar esportes nas férias e nos fins de semana — futebol de praia, tênis, vôlei e surf. Sua grande referência era o irmão mais velho, quatro anos e meio à frente, que se dedicava aos treinos de corrida e remo. Roberto também chegou a fazer remo no barco escola e aprendeu os quatro estilos na natação por insistência da mãe, mas sua verdadeira conexão com a água vinha do hábito frequente de surfar.
A aproximação com os treinos estruturados aconteceu em 1994, quando ingressou na faculdade de Administração. A convite do amigo Rodrigo Furnaro, ele começou a frequentar os treinos de natação e corrida com o treinador Luiz Gandolfo. Na época, Roberto não tinha bicicleta e sequer cogitava competir: recusava acordar de madrugada para pedalar porque preferia sair à noite e usava os treinos apenas para se manter em forma. Essa rotina durou até cerca de 2006, quando mudanças profissionais o afastaram das pistas por uma década.
A estreia nas três modalidades e a virada para o endurance
A bicicleta só entrou de vez na rotina em 2016, incentivado pelo cunhado. Com apenas um mês de pedal e usando uma bicicleta de estrada tradicional, Roberto topou disputar sua primeira prova curta de triatlo em Pirassununga. Nadou e correu de forma razoável com a memória muscular que guardava, mas sentiu a dureza do ciclismo.
Depois de uma pausa em 2017, o cunhado voltou a insistir e ambos se inscreveram no Ironman 70.3 na Patagônia em 2018. A experiência acendeu a vontade de treinar com consistência. No ano seguinte, em 2019, Roberto alinhou no Ironman 70.3 Florianópolis, conquistou a vaga para o Mundial de 70.3 em Nice e foi fisgado de vez pelo esporte de longa distância.
O adeus ao futebol amador e a mentalidade competitiva
Até 2019, Roberto ainda tentava conciliar o triatlo com os campeonatos de futebol amador no clube. Embora seu condicionamento aeróbico permitisse correr durante toda a partida enquanto os colegas se cansavam, as mudanças bruscas de direção, saltos e divididas cobravam um preço alto na recuperação muscular. Ao perceber o risco constante de lesão, ele abandonou os gramados de vez para focar nos treinos lineares do endurance.
Sem uma base técnica formal construída na base, Fonseca credita sua evolução à capacidade de trabalho e disciplina. Grande admirador da postura combativa de atletas como Ayrton Senna, Gustavo Kuerten, Rafael Nadal e o triatleta canadense Lionel Sanders, ele buscou aplicar essa mesma mentalidade de constância diária para alcançar resultados expressivos no esporte.