Consistência no triatlo: conselhos de Roberto Fonseca
Em bate-bola descontraído no Café com Tri, atleta fala sobre evolução no longo prazo, escolhas de equipamento e micos de prova.
Roberto Fonseca compartilha sua visão sobre longevidade esportiva, investimentos certeiros na bike e o valor da consistência no longo prazo. O atleta também relembra penalidades por vácuo e um tombo inusitado no quadro Roda Presa.
Em participação descontraída no podcast Café com Tri, da Stemma Sports, Roberto Fonseca participou de um tradicional bate-bola rápido sobre preferências e rotina no endurance. Ao ser colocado contra a parede em escolhas clássicas, o triatleta não hesitou: prefere Kona a Florianópolis, prioriza o volume em relação à intensidade e escolhe sempre treinar em grupo a encarar as sessões sozinho. Na divisão das três modalidades, destacou que a corrida é onde entrega o melhor rendimento, mas elegeu o ciclismo como sua disciplina favorita no momento.
Equipamentos, posicionamento e disciplina nos treinos
Quando o assunto é investimento em performance, Fonseca foi direto: mais do que apenas trocar de bicicleta, o ajuste fino na aerodinâmica faz toda a diferença. Para ele, investir em um bom bike fit, além de capacete e clip de guidão adequados, foi o que realmente transformou sua eficiência sobre duas rodas.
Questionado sobre qual treino jamais deixa de cumprir, Roberto revelou uma mentalidade pragmática em relação à planilha. Para o atleta, é preferível perder uma sessão intensa do que negligenciar os treinos regenerativos ou de menor duração. A regra é simples: se a planilha pede meia hora leve, faça a meia hora leve sem inventar desculpas. Além disso, as sessões de pista noturnas sob orientação do técnico Luiz Gandolfo entram na lista das inegociáveis.
Pênaltis de vácuo e o sonho de competir em Roth
Ao revisitar erros do passado que não pretende cometer novamente, Fonseca relembrou as penalidades por vácuo sofridas no IRONMAN Brasil, em Florianópolis, e no Mundial de Kona. Em ambas as ocasiões, a dinâmica de ultrapassagens e a entrada repentina de outros competidores à sua frente dificultaram o recuo dentro do tempo regulamentar, resultando em punições severas no percurso de ciclismo. Já na lista de desejos esportivos que ainda quer realizar, o atleta apontou o tradicional Challenge Roth, na Alemanha, como a prova dos sonhos que ainda planeja disputar.
O poder da consistência e a visão de longo prazo
Se pudesse dar um único conselho para um triatleta jovem que busca performar bem na maturidade, Fonseca resume em uma palavra: consistência. Na visão do atleta, muitos iniciantes superestimam o que conseguem alcançar em poucas semanas e acabam se frustrando ou se lesionando ao tentar queimar etapas.
Por outro lado, subestima-se a transformação de um ciclo construído ao longo de cinco ou seis anos ininterruptos de treino. Roberto destaca que atingir tempos expressivos acima dos 50 anos não foi fruto de uma meta imediata, mas consequência direta de anos de trabalho contínuo, sem pressa, cuidando do corpo e respeitando cada etapa do processo.
Roda Presa: o tombo com sacolas em São Carlos
Para encerrar no quadro Roda Presa, Roberto Fonseca relembrou um momento cômico e embaraçoso vivido antes da largada de uma prova em São Carlos. Ao descer de bicicleta em direção à área da represa para a transição, decidiu levar duas sacolas de equipamentos penduradas nas mãos enquanto segurava o guidão.
Durante a descida íngreme, uma das sacolas enroscou nos raios da roda dianteira, travando a bike instantaneamente. Sem luvas, o atleta foi arremessado no asfalto e ralou as duas mãos. Morrendo de vergonha dos outros atletas, correu para cobrir os ferimentos com esparadrapo e encarou a prova inteira machucado para não ter que admitir a trapalhada.