Recuperação e riscos na prova: a rotina de Roberto Fonseca
No Café com Tri, triatleta detalha hábitos matinais, prevenção de lesões e a linha tênue entre arriscar tudo e quebrar.
Roberto Fonseca compartilha as adaptações essenciais na rotina para manter a longevidade no triatlo de alto rendimento. O atleta analisa seus cuidados diários com mobilidade, sono e nutrição, além de explicar sua mentalidade ao arriscar tudo em busca de vitórias.
Manter o rendimento em alto nível no triatlo de longa distância com o passar dos anos exige ajustes constantes. Em conversa no Café com Tri, Roberto Fonseca compartilhou como a maturidade o levou a priorizar uma rotina focada em consistência e prevenção de lesões, além de refletir sobre o cálculo de risco na busca pelas primeiras colocações em provas como o Campeonato Mundial de IRONMAN em Kona.
Rotina matinal, mobilidade e fortalecimento
Para Roberto, a eficiência diária começa logo ao acordar. Desde o período da pandemia, o atleta adotou de 10 a 15 minutos de meditação matinal e exercícios de respiração. O objetivo não é acelerar a recuperação física diretamente, mas promover o equilíbrio mental necessário para tomar boas decisões e manter o foco nas prioridades ao longo do dia.
Na sequência, entram 5 a 10 minutos diários de mobilidade, totalizando uma rotina inicial de cerca de meia hora. Essa soltura dinâmica atua na liberação muscular pós-esforço, melhorando o rendimento na corrida e a flexibilidade de membros superiores para a natação. Para combater a perda natural de tônus muscular decorrente da idade e tratar dores no joelho e no posterior da coxa, Roberto incluiu duas sessões semanais de fortalecimento de 30 a 40 minutos com carga para a bike, além de um trabalho específico em cama elástica conduzido na Marinos com o treinador Caio.
Hábitos que sustentam a consistência
Outro pilar decisivo está nos hábitos diários simples. O atleta destaca o corte total de bebidas alcoólicas cerca de dois a três meses antes das principais competições, o que impacta diretamente na qualidade do sono e no início dos treinos. Sua rotina de sono visa entre sete e oito horas por noite, dormindo habitualmente entre 21h e 22h.
Na alimentação, acompanhado pela nutricionista Fernanda Palma, adota uma estratégia de controle de carboidratos com padrão mais baixo à noite e, eventualmente, treinos matinais em jejum, direcionando a reposição de carboidratos para o pós-treino da bicicleta e o almoço. Para blindar o corpo contra o principal vilão do triatleta — a lesão —, Roberto não abre mão de aquecimento, ativações musculares e soltura ao final de todas as sessões, estendendo a natação em pelo menos 200 metros e a corrida em até 2 km leves após treinos intensos de pista.
A estratégia do risco: cansar versus quebrar
Ao disputar as primeiras posições da categoria, arriscar o ritmo é inevitável para sonhar com o topo do pódio. Roberto aponta que, embora adote a mentalidade de se expor ao limite — como forçar o ritmo no ciclismo e correr a maratona em ritmo agressivo —, sua grande economia de movimento e resistência mental impedem uma quebra drástica.
Durante a maratona em Kona, por exemplo, chegou a abrir os primeiros quilômetros para um ritmo abaixo de três horas tentando caçar o líder da prova, Rafael Godoy, que mantinha 20 minutos de vantagem. Ao constatar que a diferença permanecia estável e avaliar a margem segura sobre o terceiro colocado, soube dosar o desgaste para fechar a corrida em 3h07 sem desmoronar. Para ele, cansar e reduzir o ritmo é natural da disputa no limite, mas manter a capacidade de sustentação até o pórtico é o que consolida o resultado.