O dia em que Rosecler tomou uma caravela no rosto em Kona
Durante o treino para o Mundial de Ironman de 2018, a triatleta foi queimada no mar e precisou de socorro antes da largada.
Às vésperas do Mundial de Ironman em Kona, uma sessão de treinos no mar havaiano virou um teste extremo para Rosecler Costa. A triatleta foi atingida no rosto por uma caravela e precisou de atendimento de emergência na praia.
Competir no Mundial de Ironman em Kona, no Havaí, é o grande ápice para os atletas de endurance. Para Rosecler Costa, a experiência em 2018 teve um sabor ainda mais especial ao levar a família inteira: os filhos Marcela, então com 11 anos, e Rogério, com 9, viajaram de surpresa para acompanhar a mãe no templo do triathlon.
Águas cristalinas e pânico antes da largada
Acostumada a nadar em Santos, onde a visibilidade da água é baixa, Marcela sentiu o impacto da transparência absurda do oceano havaiano logo nos primeiros mergulhos no píer. A nitidez era tanta que dava para ver cada detalhe da vida marinha e até a corda das boias até o fundo. Assustada com a imensidão do mar aberto, a filha desistiu de participar do tradicional evento de natação de 3,8 km organizado uma semana antes da prova principal.
A decisão de Marcela acabou se mostrando um alívio logo em seguida. Naquele mesmo dia, uma mudança de maré e de fase lunar trouxe um grande cardume de caravelas e águas-vivas para a baía de Kona, transformando o percurso em uma armadilha.
O resgate de jet ski e o choque anafilático
Rosecler mal havia começado a nadar e ainda não tinha alcançado a primeira boia quando foi surpreendida em cheio. Uma caravela atingiu diretamente o seu rosto, queimando a pele exposta do pescoço até a testa, no vão entre os óculos e a touca de natação. A dor intensa e a sensação de queimação insuportável a obrigaram a pedir socorro imediato para a equipe de apoio, sendo resgatada de jet ski até a areia.
Na ambulância montada na praia, o veneno causou espasmos e tremores incontroláveis em Rosecler. Com o marido Marcelo enfrentando dificuldades com o idioma inglês para entender as orientações dos paramédicos, o triatleta profissional Igor Amorelli apareceu no local e ajudou na tradução com a equipe médica.
Uma hora de tremores e largada garantida
A equipe médica explicou que os espasmos e a crise de choque durariam exatamente uma hora e que não havia medicação imediata além do suporte básico. Pontualmente após os sessenta minutos, as convulsões cessaram.
Cerca de 50 pessoas foram queimadas naquele mesmo treino, mas nenhuma sofreu um impacto tão severo quanto o de Rosecler, que foi atingida em cheio no rosto. Apesar das marcas e do susto que mobilizou a família inteira, a triatleta se recuperou nos dias seguintes e alinhou normalmente para completar o IRONMAN de Kona uma semana depois.