Maternidade e esporte: Rosecler Costa fala de culpa e autocuidado
A triatleta explica por que cuidar de si não é egoísmo e destaca o papel da rede de apoio na rotina de treinos.
Rosecler Costa compartilha os desafios de conciliar a maternidade com a rotina de treinos e como superou os julgamentos alheios. A triatleta defende que o autocuidado e o suporte familiar são pilares essenciais para o bem-estar da mulher no esporte.
Conciliar a maternidade com o esporte de alto rendimento é um desafio que vai além da planilha de treinos — envolve administrar cobranças internas e externas. Em conversa no programa Se Liga Nelas, do canal Stemma Sports, a triatleta Rosecler Costa abriu o jogo sobre a sensação de culpa, os julgamentos enfrentados ao longo dos anos e a importância de preservar a própria identidade por meio da atividade física.
O julgamento alheio e o retorno aos treinos
Após passar quase uma década afastada das competições para se dedicar aos filhos ainda pequenos, Rosecler sentiu a necessidade de retomar a prática esportiva. A decisão, no entanto, veio acompanhada de críticas externas. Ela relata que chegou a ouvir comentários de outras mães que a acusavam de "abandonar" os filhos simplesmente por sair para treinar enquanto as crianças estavam sob os cuidados da avó.
Para Rosecler, a volta ao triathlon foi impulsionada por dois pilares fundamentais: ser um exemplo positivo de dedicação e disciplina para os filhos e resgatar um espaço pessoal. Ela ressalta a importância de a mulher não se anular após o casamento e a maternidade, lembrando que estar bem consigo mesma é o primeiro passo para oferecer o melhor para a família.
Rotina calculada e a força da rede de apoio
A chave para equilibrar os compromissos familiares com a preparação física esteve no planejamento rigoroso da rotina. Rosecler organizava suas sessões de treinamento nos momentos em que as crianças estavam dormindo, na escola ou com a avó, garantindo que estivesse presente para buscá-las e acompanhar o dia a dia da casa.
Além da disciplina de horários, a triatleta enfatiza o papel determinante da rede de apoio. O suporte de sua mãe e de seu companheiro, Marcelo, foi essencial para viabilizar os treinos. Hoje, ao orientar alunas que sonham em encarar grandes provas, Rosecler costuma perguntar se a família e o parceiro apoiam o projeto, considerando o respaldo dentro de casa como 50% do caminho para o sucesso.
Autocuidado não é egoísmo
Flexibilidade também faz parte do processo: quando imprevistos acontecem, como um filho doente, a prioridade absoluta se volta à família e o treino é ajustado. Rosecler reforça que reservar um momento para si não deve ser encarado com culpa ou egoísmo, mas como uma ferramenta vital de saúde mental, autoestima e qualidade de vida.
Para quem busca começar ou retomar uma rotina saudável, a mensagem é desmistificar a necessidade de volumes gigantescos logo de início. Seja uma caminhada de 30 minutos ou uma corrida curta algumas vezes por semana, qualquer movimento dedicado ao próprio bem-estar ajuda a aliviar pressões cotidianas e manter vivos os objetivos pessoais.