Hipotermia no Ironman: os perrengues de Rosecler Costa em provas
Triatleta e sua filha Marcela relembram os bastidores de provas congelantes em Mar del Plata, Floripa e São Paulo.
Em conversa sincera e bem-humorada, Rosecler Costa e a filha Marcela relatam episódios dramáticos causados pelo frio extremo em provas de triathlon. Entre desmaios, ambulâncias e hospitais, elas analisam os erros e desafios de competir sob baixas temperaturas.
No triathlon de longa distância, enfrentar o calor escaldante é uma preocupação constante, mas as provas com chuva e frio intenso guardam armadilhas ainda mais perigosas. Em participação no videocast do Stemma Sports, a experiente triatleta Rosecler Costa, a "Ironmãe", e sua filha Marcela Amorim relembraram os momentos mais tensos que já viveram após cruzar a linha de chegada — situações em que o esforço extremo e as baixas temperaturas resultaram em quadros severos de hipotermia e transferências de ambulância para o hospital.
O vento brutal e o hospital em Mar del Plata
Um dos episódios mais marcantes aconteceu no Ironman Mar del Plata 2017, na Argentina. Rosecler buscava a classificação para o Mundial de Kona do ano seguinte e encarou condições climáticas severas. A virada brusca no tempo trouxe chuva, frio intenso e rajadas de vento que obrigaram atletas a correr com faixas na cabeça para não perder os bonés.
Mesmo vencendo a sua categoria e garantindo a cobiçada vaga para o Havaí, o corpo cobrou a conta imediatamente após a prova. Ao receber atendimento médico e soro puro para reidratação, Rosecler teve um quadro agudo de desidratação e diarreia, precisando ser socorrida de ambulância para um hospital local. O episódio assustou o marido, Marcelo, que acompanhou de perto a internação e a lenta recuperação com mais de três litros de soro na veia.
Floripa 2024: maratona congelante e desmaio na dispersão
O drama com o frio se repetiu no Ironman Brasil 2024, em Florianópolis. A edição foi castigada por chuvas fortes e temperaturas baixas, a ponto de a organização disponibilizar aquecedores na transição. Rosecler correu os 42 km da maratona vestindo um corta-vento sem conseguir aquecer o corpo ao longo de todo o percurso.
Após cruzar a linha de chegada e seguir para a tenda de dispersão, a triatleta sofreu uma queda brusca de pressão arterial e desmaiou, sendo resgatada por amigos e levada às pressas à emergência médica. Marcela e o pai precisaram acompanhar o transporte de ambulância pela estrada até a madrugada, enquanto a atleta passava por exames e hidratação intravenosa intensiva.
A armadilha do frio e os erros de hidratação
Analisando os perrengues, Rosecler e Marcela ressaltaram um dos erros mais comuns de atletas em provas com baixa temperatura: a negligência com o consumo de água, eletrólitos e calorias. Quando a sensação de calor desaparece, a percepção de sede diminui, fazendo com que o atleta pare de se alimentar corretamente enquanto o corpo gasta energia dobrada apenas para manter a temperatura interna.
Marcela também relatou ter sofrido com o clima instável e problemas gastrointestinais no Ironman 70.3 São Paulo, quando uma forte dor muscular e indisposição pós-prova a impediram até mesmo de subir ao pódio para buscar o seu troféu. As histórias reforçam que, mesmo para atletas cascudos e experientes, subestimar as condições climáticas pode transformar a celebração da linha de chegada em um verdadeiro teste de sobrevivência.