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Maternidade e a pausa na carreira jurídica de Lu Cachem

Parto prematuro extremo fez a triatleta trocar o direito pelos cuidados com os filhos e abrir espaço para o esporte.

Lu Cachem relembra a decisão de abrir mão da advocacia após o nascimento prematuro extremo do segundo filho. O período de dedicação integral à família abriu caminho para a descoberta da corrida e do triatlo.

A trajetória de Lu Cachem no esporte e na criação de suas peças de ourivesaria tem uma raiz profunda em uma grande mudança de rumo pessoal. Antes de mergulhar de cabeça no universo do triatlo e do Ironman, ela atuava na advocacia. A interrupção abrupta da carreira jurídica aconteceu com a chegada do seu segundo filho, Diego, que nasceu prematuro extremo aos seis meses de gestação, pesando apenas 1 kg.

A complicação médica começou ainda na gestação por conta de um problema urinário do bebê. Após tentativas de tratamento intrauterino e punções, a placenta de Lu rompeu e ela enfrentou um parto de emergência com grave risco de vida por hemorragia. Diego passou três meses internado em estado gravíssimo na UTI neonatal, realizou diversas cirurgias e, em decorrência das medicações necessárias durante o período, teve uma perda auditiva.

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Com o recém-nascido necessitando de acompanhamento intensivo e um filho mais velho de apenas dois anos e dez meses em casa — sem rede de apoio familiar direta por perto, já que os parentes moravam no Rio de Janeiro —, Lu tomou uma decisão imediata: não voltou ao escritório de advocacia nem mesmo para recolher seus pertences.

Maternidade e a pausa na carreira jurídica de Lu Cachem

A rotina em casa e o valor da presença materna

A escolha de abrir mão da carreira jurídica foi vivida por Lu sem arrependimentos. O período integral dedicado à recuperação e ao desenvolvimento dos filhos transformou sua relação com a rotina doméstica e familiar. Anos mais tarde, os resultados dessa dedicação ficaram evidentes: Diego hoje estuda Publicidade na ESPM, trabalha ao lado da mãe e é nadador pela faculdade, enquanto o primogênito formou-se em Economia e também mantém hábitos esportivos ativos.

O esporte como refúgio e redescoberta pessoal

Conforme a rotina médica e o monitoramento de Diego foram se estabilizando, Lu encontrou no esporte uma ferramenta essencial de autocuidado, controle de peso e socialização. A flexibilidade do cotidiano em casa permitiu conciliar os horários de treino com os cuidados familiares — algo que dificilmente teria o mesmo espaço no ritmo tradicional dos escritórios de direito.

A corrida abriu portas para um novo círculo de amizades e para o triatlo. Entre as experiências marcantes dessa fase, Lu destaca a participação na tradicional prova Volta à Ilha, em Florianópolis, evento que disputou por cerca de seis anos consecutivos viajando com grupos de amigas. A experiência servia como um espaço exclusivo de respiro e descontração fora da rotina materna em tempo integral, consolidando a paixão pelo endurance que mais tarde definiria sua vida profissional.

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