Ironman 70.3 Floripa: análise do ciclismo e vento
Thelma D’Amelio e Bruna Mahn detalham as subidas, a altimetria total e os cuidados técnicos no percurso de bike.
Com trecho tradicional pela Beira-Mar e passagens técnicas por alças de acesso, o ciclismo do Ironman 70.3 Florianópolis exige respeito ao vento e à altimetria. Confira as orientações para dosar o ritmo nas subidas e poupar as pernas para a corrida.
O percurso de ciclismo do Ironman 70.3 Florianópolis preserva passagens clássicas pelas avenidas da ilha, incluindo o trecho em direção ao aeroporto e a famosa orla da Beira-Mar. Embora seja apontada como a parte visualmente mais bonita da prova, a Beira-Mar costuma cobrar seu preço com ventos fortes ao longo da pista. A diferença em relação ao percurso do Ironman full é a dinâmica de retorno: no 70.3, logo após cruzar o túnel, o atleta já faz o retorno, sem enfrentar as sucessivas idas e voltas em zigue-zague.
Alças de acesso e atenção técnica
Apesar de ser majoritariamente plano após as primeiras elevações, o trajeto apresenta retomadas constantes, subidas de viaduto e alças de acesso — em especial no início e por volta do quilômetro 70. Para quem tem menos facilidade com trocas rápidas de marcha e variação de cadência, esses pontos exigem foco redobrado para não desalinhar potência e frequência cardíaca.
Outro ponto crítico levantado por Thelma D’Amelio são as irregularidades no asfalto nas alças. O asfalto com vincos exige prudência: o ideal é sair do clipe, firmar as mãos no guidão e reduzir ligeiramente a velocidade para afastar qualquer risco de queda, preservando o equipamento e a integridade física para o restante do evento.
Altimetria e gestão de energia nas subidas
O pedal totaliza 574 metros de altimetria acumulada, configurando uma prova em formato rolling, sem paredões extremos, mas com subidas que demandam respeito. Entre elas, destaca-se uma rampa mais longa de aproximadamente 1 km com quase 6% de inclinação média, encarada duas vezes (na ida e na volta).
Se na ida a subida é superada com pernas descansadas, na volta o cenário muda com o acúmulo de quilômetros e o início da desidratação. A recomendação da treinadora Thelma D’Amelio é adotar uma postura conservadora: engatar a marcha mais leve (a 'coroinha' ou volantinho), manter a cadência alta e uniforme e evitar disputas de posição nas subidas. Seguir a zona planejada de potência ou frequência cardíaca é a chave para economizar perna e garantir uma corrida sólida até a linha de chegada.