Como as provas curtas destravam sua evolução no triatlo
Thelma D’Amelio e Bruna Mahn explicam por que apurar o feeling e disputar distâncias menores melhora o desempenho longo.
Muitos triatletas focam apenas em distâncias longas e ficam reféns do relógio. Entenda como correr provas curtas e desenvolver a percepção de esforço são fatores decisivos para destravar a performance no endurance.
No universo do endurance, existe uma tentação comum de valorizar apenas as distâncias mais longas. Dizer que completou um Ironman costuma carregar um apelo social maior do que falar sobre uma prova Standard ou Sprint. No entanto, focar exclusivamente em provas longas pode levar à estagnação da performance, como pontuou a treinadora Thelma D’Amelio em conversa com Bruna Mahn no Stemma Performance.
A própria Thelma compartilhou que passou anos dedicada unicamente às provas de longa distância até perceber que seus resultados haviam estacionado. O retorno às provas curtas foi o divisor de águas que permitiu melhorar suas marcas no endurance longo, provando que a velocidade e a intensidade das distâncias menores são fundamentais para a longevidade competitiva.
Margem zero para erros nas distâncias menores
Enquanto um evento longo permite gerenciar o ritmo e até contornar pequenos deslizes durante as horas de prova, a disputa curta é feita no limite do início ao fim. Qualquer erro minúsculo custa posições e compromete o resultado.
Essa exigência direta ensina o atleta a conhecer seus limites com precisão, aprimorando a tomada de decisão sob estresse e desenvolvendo uma disciplina técnica que faz diferença direta quando se migra de volta para o meio ou full Ironman.
Menos dependência do relógio, mais percepção de esforço
Outro ponto crítico levantado no episódio é a dependência excessiva de métricas e dispositivos eletrônicos. Embora os dados de potência, frequência cardíaca e ritmo sirvam como referência, atletas de alto rendimento precisam saber competir pela dinâmica da prova e pela percepção de esforço.
Bruna Mahn relembrou o exemplo de Jennifer ao vencer o IRONMAN 70.3 Brasília. Na ocasião, o medidor de potência da atleta não funcionou e, liderando a prova sem outras competidoras à frente para servirem de parâmetro visual, ela precisou guiar todo o ciclismo no feeling, sustentando a intensidade puramente pelo autoconhecimento corporal.
Saber exatamente quanto tempo o corpo consegue sustentar determinada intensidade é uma habilidade insubstituível caso o GPS falhe ou a bateria acabe. Como resumiu Thelma, o equipamento é apenas uma ferramenta de apoio: no final das contas, quem precisa correr e sentir o ritmo é o próprio atleta.