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Como a infância sobre duas rodas moldou Luís Altenfelder

Em conversa no XTREMMA Sports, o psiquiatra relembra os primeiros pedais no Pacaembu, a era do BMX e a paixão pelas bikes.

Luís Altenfelder relembra como a infância nos anos 1980, as pedaladas na USP e as provas de duatlo moldaram sua paixão permanente pela bicicleta.

Para Luís Altenfelder, a relação com o esporte começou bem cedo, impulsionada pelo exemplo do pai, que era corredor de rua e levava os filhos para a Cidade Universitária (USP) aos finais de semana. Enquanto o pai acumulava quilômetros, Luís e os irmãos exploravam a Praça do Relógio em cima de bicicletas e velotróis. Nascido no final dos anos 1970, ele pegou em cheio a febre do BMX no Brasil na década de 1980, assistindo ao irmão mais velho disputar baterias nas pistas de terra da Monark e sonhando em dominar as mesmas manobras e rampas.

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Da iniciação esportiva ao basquete federado

Antes de focar definitivamente no universo das duas rodas, Luís construiu uma base motora diversificada. Ele ingressou na Med Esporte, tradicional escolinha sediada no Centro Acadêmico Oswaldo Cruz (CAOC), da Faculdade de Medicina da USP. Ali, experimentou diversas modalidades dos 7 aos 11 anos até se dedicar intensamente ao basquete, influenciado pelo auge de Michael Jordan na NBA. O envolvimento o transformou em atleta federado, cumprindo rotinas pesadas de treinos de até três horas diárias.

Mais tarde, migrou para o handebol no Esporte Clube Pinheiros, modalidade que defendeu até os 16 anos e que posteriormente lhe garantiu uma bolsa de estudos esportiva de 30% durante a faculdade de medicina na PUC Sorocaba. Paralelamente aos treinos e às aulas, a bicicleta consolidou-se como o seu principal meio de transporte diário em São Paulo, fazendo os deslocamentos entre o bairro do Pacaembu, o colégio Vera Cruz no Alto de Pinheiros e os clubes onde treinava.

Como a infância sobre duas rodas moldou Luís Altenfelder

A experiência no duatlo e o início na speed

Na segunda metade dos anos 1990, por volta de 1997 e 1998, Luís acompanhou o surgimento das provas de duatlo organizadas pela Companhia Atlética no Shopping Morumbi e na Marginal Pinheiros. Ele começou a participar utilizando uma mountain bike, inspirado por figuras de destaque no cenário nacional, como Cris Carvalho.

A vontade de se aproximar do triatlo o fez adquirir uma bike de speed para treinar na USP e intensificar a corrida. Embora a natação nunca tenha sido o seu forte — fator que o afastou da transição completa para o triatlo —, o contato com as provas combinadas consolidou sua afinidade com o esporte de endurance e o lifestyle do ciclismo de estrada.

Coleção de memórias e a cultura dos anos 80

Uma das marcas da relação de Luís com a bicicleta é a preservação de sua própria história: ele mantém em acervo todas as bikes que já teve ao longo da vida, sem nunca ter vendido nenhum modelo. Sua primeira bicicleta foi uma Caloi Totica aro 16. Tempos depois, em uma comemoração de Natal, ele e o irmão ganharam modelos Caloi Light — Luís ficou com a versão vermelha e o irmão com a azul —, completando o visual com capacete e vestuário da linha Caloi Cross.

A infância pelas ruas do Pacaembu refletia o clima de aventura dos anos 1980, com turmas de vizinhos pedalando o dia inteiro, saltando guias e explorando canteiros. Naquela época, o castigo mais temido era a proibição de pedalar, geralmente aplicada pelos pais quando as crianças cruzavam os limites estipulados de avenidas movimentadas, como a Avenida Sumaré.

Mobilidade urbana e autonomia em São Paulo

Em sintonia com a apresentadora Shubi Guimarães, Luís reforça que a bicicleta sempre proporcionou uma sensação insubstituível de autonomia e liberdade. Hoje, o médico prioriza a bike em praticamente todos os seus deslocamentos por São Paulo, utilizando com frequência modelos elétricos de pedalada assistida para contornar a topografia urbana.

A aversão ao confinamento do trânsito em carros particulares ou serviços de aplicativo faz com que ele prefira rodar pela cidade mesmo em dias chuvosos, munido de capa de proteção, reafirmando a bicicleta como ferramenta essencial de bem-estar e mobilidade diária.

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