Aline Alexa relembra a vaga no Mundial de 70.3 na Finlândia
Após estrear na distância e conquistar vaga inesperada em Lahti, a atleta mobilizou a família e transformou sua visão esportiva.
Em sua estreia no Ironman 70.3, Aline Alexa conquistou uma vaga para o Mundial de Lahti, na Finlândia. A atleta detalha os desafios de bancar a viagem, a superação da síndrome da impostora e o impacto dessa experiência em sua trajetória no endurance.
Descobrir o significado de disputar um campeonato mundial muitas vezes acontece no próprio calor da linha de chegada. Para Aline Alexa, a classificação para o Ironman 70.3 World Championship veio sem aviso prévio, logo em sua estreia nos 113 km do triatlo. Ao cruzar a meta em sexto lugar na categoria de idade, ela nem sequer conhecia a dinâmica da rolagem de vagas (roll-down) quando recebeu a notícia de que Lahti, na Finlândia, estava em seu horizonte.
A surpresa da classificação e a síndrome da impostora
Aline não planejava a classificação ao se inscrever na primeira prova da distância. Quando soube pelo treinador que deveria comparecer à cerimônia de premiação para buscar a vaga remanescente, o sentimento inicial foi de estranheza e hesitação. A decisão precisava ser tomada na hora, em um curto intervalo entre abril e a data da prova, marcada para agosto do mesmo ano.
A conquista imediata abriu espaço para questionamentos internos e a clássica síndrome da impostora. Para quem começava na modalidade, a sensação de não pertencer àquele patamar esportivo contrastava com a dedicação exigida no processo. O incentivo do treinador e o apoio familiar foram determinantes para que a oportunidade fosse aceita e trabalhada com seriedade nos meses seguintes.
Mobilização familiar e esforço financeiro para chegar a Lahti
Viajar para competir no exterior envolve custos elevados de inscrição, passagens aéreas e transporte de equipamento como bike e malas rígidas. Para viabilizar a ida à Finlândia sem sobrecarregar terceiros, Aline tomou a iniciativa de vender camisetas e estruturar suas finanças de forma independente, encarando a logística desafiadora de frente.
A jornada ganhou significado especial com a presença da família. Seu avô e seu tio-avô, que residem no México, além de sua mãe, uniram-se à expedição após uma conexão em Londres, viajando até a cidade de Lahti, localizada a cerca de duas horas de Helsinque. Ter os familiares presentes no entorno da prova transformou o evento em um marco afetivo muito além do resultado esportivo.
Ponto de virada e novos passos no triatlo
A atmosfera do Mundial em Lahti, cercada por cenários nórdicos e pistas de esqui, causou forte impacto e redefiniu prioridades na rotina de treinos. A vivência serviu como transição definitiva para um estilo de vida focado em objetivos próprios e consistência esportiva, despertando a ambição de planejar passos maiores dentro do endurance, incluindo o sonho da distância Ironman e a busca por Kona.
O relato completo sobre essa trajetória foi compartilhado no videocast Se Liga Nelas, projeto parceiro da Stemma Sports, que aborda temas de performance, negócios e bastidores femininos no esporte.