A base esportiva e os primeiros passos de Ju Markan na corrida
Da infância na ginástica e dança aos treinos no calor do Recife, atleta detalha a construção da sua bagagem atlética.
Antes de buscar marcas expressivas no asfalto, Ju Markan construiu uma longa bagagem no esporte. Em conversa no Girls Who Run, ela relembra a infância competitiva, as corridas sem relógio no Nordeste e a transição para os treinos estruturados.
A evolução rápida de Ju Markan nas provas de longa distância costuma despertar curiosidade no pelotão amador. No entanto, o desempenho consistente no asfalto não surgiu por acaso: é fruto de uma base motora diversificada desenvolvida desde a infância, muito antes de calçar o primeiro tênis de corrida com foco em performance.
Da ginástica artística à rotina de treinos na infância
A relação com a atividade física começou cedo, aos quatro anos de idade, por forte incentivo familiar. Ju passou pelo balé, sapateado e somou oito anos dedicados ao jazz. Na infância em São Paulo, competiu em ginástica olímpica pelo Clube Paineiras do Morumby por volta dos sete e oito anos, desenvolvendo consciência corporal e disciplina competitiva.
Ao se mudar para o Recife, a falta de estrutura local para ginástica de alto rendimento a levou para outras modalidades. Passou pelo nado sincronizado, interrompido por crises de sinusite, fez natação e chegou a competir no hipismo, esporte que precisou deixar após descobrir alergia ao suor dos cavalos. Aos 13 anos, encontrou estabilidade na musculação e nos treinos de força, mantendo o trabalho cardiovascular constante na rotina.
Os primeiros quilômetros na orla de Boa Viagem
A corrida de rua entrou de forma despretensiosa por volta de 2017 e 2018. No início, os treinos eram simples voltas em praças do Recife, como em Casa Forte e no Parque da Jaqueira. Quando passou a morar perto da orla de Boa Viagem, os trajetos ganharam volume: Ju corria cinco quilômetros de ida e cinco de volta no calçadão, sem relógio GPS, sem saber o que era ritmo de prova (pace) e monitorando a distância apenas por aplicativo de celular.
Durante a pandemia, os treinos continuaram em condições desafiadoras, correndo sob o sol do meio-dia na praia, o que ajudou a criar resistência física e mental. O período também incluiu aulas intensas de ciclismo indoor e treinos funcionais de esteira na Race, onde a mentalidade competitiva e a busca por superar as próprias marcas voltaram a ganhar força.
Estruturação física e a chegada à assessoria
Após se mudar para São Paulo, o aumento da intensidade nas esteiras gerou uma sobrecarga no iliopsoas e glúteos. Com acompanhamento fisioterápico e fortalecimento específico, o corpo se reestruturou para aguentar maiores cargas. Em novembro de 2024, Ju aproveitou uma oportunidade na assessoria MP Run para formalizar os treinos de corrida de rua, iniciando uma nova fase de dedicação estruturada ao esporte.