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Criatividade exige busca de referências e ócio, diz Felix Grivot

Head de marketing da FCamara discute os limites do consumo digital, o impacto do trabalho remoto e o valor do repertório.

Felix Grivot analisa como a construção de repertório depende da curiosidade humana e da saída de bolhas digitais. O executivo também aborda os desafios do trabalho remoto para profissionais iniciantes e a importância de pausas para processar informações.

Felix Grivot, Head de Marketing B2B da FCamara, falou, em conversa com Bruno Gimenes no Marketing - The Podcast, sobre como a construção de repertório e os momentos de desconexão são determinantes para manter a criatividade em um ambiente dominado por telas e automação.

No vídeo acima, a conversa aprofunda como profissionais de marketing podem equilibrar o uso de ferramentas tecnológicas com vivências reais e práticas de observação fora do ambiente de trabalho.

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A dependência de referências para o processo criativo

Ao abordar a formação de ideias, Grivot resgatou uma reflexão que conheceu durante seu período de trabalho na RBS, afiliada da Globo no Rio Grande do Sul, a partir de uma fala de Marcos Piangers. Para ele, a criatividade não surge no vácuo, mas da sobreposição de estímulos distintos aos quais o profissional se expõe voluntariamente.

"Criatividade, ela vem a partir das referências, aquilo me marcou de uma forma não tem como a gente ser criativo sem buscar referências, sem sair do nosso das nossas séries favoritas, do nosso time de nosso tipo de filme favorito. É impossível", explica Grivot.

Criatividade exige busca de referências e ócio, diz Felix Grivot

Vivência presencial e os limites do trabalho remoto

Grivot apontou que o acesso irrestrito a informações digitais, como explorar cidades pelo Google Maps, não substitui o impacto da circulação física. Ele destacou o exemplo de caminhar pelo centro de São Paulo e observar a arquitetura histórica e manifestações visuais urbanas como alternativas de baixo custo para enriquecer a percepção.

A reflexão se estende ao desenvolvimento de novos profissionais que ingressaram no mercado durante ou após a pandemia em formatos estritamente remotos. "Como é que alguém que vai aprender a ser estagiário da sua casa e o profissional cara, será que eu não posso ir um dia no escritório? Ah, legal, peguei um trabalho full remoto. Pô, será que eu tenho oportunidade de um dia no escritório para sentar do lado de quem sabe mais e entender?", questiona Grivot.

Ruptura com o consumo passivo em redes sociais

Para Grivot, o consumo contínuo e algorítmico de vídeos curtos em plataformas como TikTok e Instagram tende a drenar tempo sem agregar valor técnico ou cultural. Ele recomenda o uso intencional de plataformas digitais para estudos direcionados, consumo de entrevistas e exploração de temas fora da rotina habitual.

"Sai do feed infinito do TikTok, do Instagram, que todo mundo cai, eu também caio. Às vezes tu passa lá, pô, tô 40 minutos aqui para um para um aprendi nada, fiquei vendo vídeo de fruta de IA me xingando. Usa isso de forma produtiva, usa o YouTube para buscar referência", pontua Grivot, sugerindo ainda o retorno a espaços como salas de cinema e exposições de arte.

O papel do ócio no processamento de insights

Além de absorver novos conteúdos, Grivot defende a criação deliberada de intervalos sem nenhum estímulo de tela. Segundo ele, a capacidade de gerar conexões inéditas depende do tempo que o cérebro tem para digerir o volume de dados acumulado ao longo da rotina.

"Por que que a gente tem ideias? Por que que a gente tem a famosa sacada do banheiro? Porque é o momento que a gente não tem nada, né? A gente não tá olhando para a tela nenhuma", destaca Grivot. Para ele, manter filtros de consumo e preservar momentos de descanso mental são passos indispensáveis para sustentar a capacidade analítica e criativa no longo prazo.

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