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Ventosaterapia funciona? O que a ciência diz sobre a técnica

Rafael Tambascia avalia o risco-benefício da prática milenar e explica como checar evidências científicas de qualidade.

Popularizada por atletas de elite, a ventosaterapia divide opiniões entre o alívio relatado e as evidências científicas. O fisioterapeuta Rafael Tambascia analisa os reais efeitos da técnica e orienta como filtrar informações na internet.

As marcas circulares arroxeadas nas costas de nadadores de elite ganharam os holofotes mundiais nos Jogos Olímpicos, sobretudo com Michael Phelps. Desde então, a ventosaterapia se espalhou pelas academias, assessorias e clínicas como uma suposta ferramenta essencial de recuperação muscular. Mas, por trás do apelo visual e da tradição milenar da medicina chinesa, o que a ciência do esporte realmente comprova sobre a prática?

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Risco, benefício e a percepção de alívio

No episódio do Stemma Performance dedicado aos mitos da recuperação esportiva com Bruna Mahn, o fisioterapeuta Rafael Tambascia destacou a importância de ponderar a relação de risco e benefício da técnica. Para gerar sucção, a ventosa provoca rompimento de capilares, hematoma e um pequeno dano tecidual superficial. Em comparação com alternativas conservadoras, como uma manipulação manual leve, uma massagem ou o uso de fitas funcionais, o procedimento impõe um trauma tecidual maior.

Ainda assim, muitos atletas relatam melhora imediata da dor. De acordo com Tambascia, a sensação subjetiva de alívio é real na experiência de quem aplica e de quem recebe, mas não deve ser confundida com a resolução mecânica de lesões ou com uma recuperação acelerada sem respaldo de literatura de alta qualidade.

Ventosaterapia funciona? O que a ciência diz sobre a técnica

Como validar informações na era da desinformação

Com a proliferação de conteúdos em redes sociais, onde a simples presença de um jaleco pode transmitir autoridade automática, o consumidor do esporte precisa redobrar os filtros. Rafael Tambascia sugere que atletas e praticantes utilizem ferramentas modernas, incluindo inteligência artificial, para checar o nível de evidência de promessas comuns de consultório — como o uso de ventosas para dores lombares ou problemas de coluna.

A recomendação do especialista é direcionar buscas com critérios rigorosos, exigindo estudos metodologicamente sólidos e publicados em periódicos de alto impacto, em vez de aceitar estudos isolados ou revisões predatórias com viés. Ao mesmo tempo, ele alerta que a tecnologia serve para informação crítica, e jamais para prescrever diagnósticos, tratamentos ou substituir a avaliação individualizada de um profissional de saúde.

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