Mitos e verdades sobre recuperação no esporte com Rafael Tambascia
O fisioterapeuta analisa a ciência por trás de botas de compressão, gelo, sono e esteira antigravidade.
Descubra o que a ciência realmente comprova sobre as principais estratégias de recuperação esportiva. O fisioterapeuta Rafael Tambascia desmistifica técnicas populares e aponta o que realmente funciona.
Recuperação também faz parte do treinamento de endurance. No Stemma Performance, a apresentadora Bruna Mahn conversou com o fisioterapeuta Rafael Tambascia, mestre pela USP e especialista em reabilitação funcional, para separar mitos de evidências científicas nas práticas de recovery mais populares entre corredores e triatletas.
Fatores de risco para lesões esportivas
De acordo com Rafael Tambascia, o principal fator preditivo para uma nova lesão no esporte é o histórico de uma lesão prévia no mesmo local. Além disso, picos de estresse na rotina e no trabalho afetam a tomada de decisão consciente do atleta amador, que muitas vezes força o ritmo em treinos intensos além do que o corpo consegue tolerar.
Efeito placebo e o uso de botas de compressão
As botas de compressão pneumática são populares, mas seus efeitos na redução marcante de biomarcadores de fadiga (como lactato e CK) são modestos. Grande parte do benefício percebido está associada ao efeito sensorial, à drenagem de edemas e ao próprio contexto de acolhimento e repouso, atuando fortemente na percepção subjetiva de melhora.
Crioterapia, banheira de gelo e contraste térmico
A imersão em água fria proporciona alívio e conforto após treinos longos de resistência, mas não deve ser utilizada após treinos de força e hipertrofia, pois o gelo atenua o processo inflamatório essencial para o ganho muscular. Já o banho de contraste térmico imediato (quente e frio) carece de evidência científica robusta que justifique sua superioridade.
Evidências científicas sobre o Kinesio Tape
Estudos apontam que a fita elástica terapêutica funciona predominantemente como um estímulo mecanorreceptor na pele, fornecendo suporte proprioceptivo e alívio temporário da dor para viabilizar exercícios. Contudo, pesquisas mostram que o sentido de colagem ou o grau de tensão da aplicação não alteram o desfecho clínico do método.
Ventosaterapia e checagem de evidências científicas
Embora gere alívio na percepção de muitos atletas, a ventosaterapia acarreta danos teciduais e hematomas locais sem comprovação de mudanças estruturais profundas. Para evitar cair em promessas milagrosas, Tambascia sugere utilizar ferramentas de inteligência artificial para filtrar revisões sistemáticas e ensaios clínicos de alta qualidade metodológica.
Massagem e liberação miofascial na recuperação
A massagem e o uso de pistolas de massagem aumentam o fluxo sanguíneo local e promovem relaxamento muscular, servindo como bons coadjuvantes pós-esforço. No entanto, essas técnicas não realizam alterações estruturais na fáscia e devem ser evitadas logo antes de treinos intensos ou competições para não inibir a contração muscular.
A importância do sono e da recuperação ativa
O sono de qualidade é o recurso fisiológico mais eficiente e de menor custo para a restauração metabólica e reparo tecidual. Ao lado do repouso noturno, a recuperação ativa (como solturas leves em bike ou trotes regenerativos) forma a base cientificamente comprovada da recuperação esportiva de alto rendimento.
Esteira antigravidade (Alter G) na reabilitação de atletas
A tecnologia da Alter G utiliza pressão de ar para reduzir até 80% do peso corporal do corredor durante o impacto na esteira. O recurso permite manter o volume de corrida e a biomecânica natural sem sobrecarregar tecidos lesionados ou em processo de retorno após fraturas por estresse e cirurgias.