Peu Guimarães analisa gestão de atletas e a era dos influencers
Fundador da Icons defende que marcas assumam a produção de conteúdo em vez de exigir que atletas virem blogueiros.
Em conversa no XTREMMA Sports, Peu Guimarães detalha a criação da agência Icons e discute os desafios do marketing esportivo. O empresário defende que marcas devem estruturar a captação de conteúdo dos atletas para preservar o foco na performance.
No episódio do podcast XTREMMA Sports, apresentado por Shubi Guimarães, Peu Guimarães detalhou a criação da agência Icons e expôs os dilemas atuais do marketing esportivo nacional. O debate destacou como a ascensão dos influenciadores digitais transformou o fluxo de investimentos de patrocínio, muitas vezes deixando atletas de alto rendimento em desvantagem na busca por verba comercial.
A fundação da Icons e o modelo de agenciamento
A criação da agência Icons ganhou força logo após os Jogos Olímpicos Rio 2016. Ao notar a entrada de novas modalidades no programa olímpico para Tóquio, como o skate e o surfe, Peu estruturou um pilar de gestão focado em atletas com potencial de medalha e no domínio de regras de marketing esportivo, como a Regra 40 do Comitê Olímpico Internacional. Ao lado do sócio Maurício, ele formalizou a empresa mantendo parcerias com nomes como as irmãs Bia e Branca Feres, do nado artístico.
O modelo de trabalho adotado buscou romper com práticas tradicionais de agenciamento que amarravam esportistas com multas pesadas. A premissa estabelecida foi a de remuneração atrelada estritamente aos contratos comerciais viabilizados pela agência, sem cobrança sobre premiações ou resultados esportivos dos representados.
O conflito entre alta performance e produção de conteúdo
Um dos principais desafios enfrentados na gestão de carreira esportiva é a concorrência direta com criadores de conteúdo do entretenimento. Para Peu, cobrar que um atleta olímpico atue como blogueiro em tempo integral ignora a rotina extrema de sacrifícios exigida pelo alto rendimento. A exigência de geração constante de vídeos e postagens desvia a energia necessária para o treinamento de elite.
A preferência do mercado publicitário por influenciadores frequentemente se apoia na busca por métricas imediatas e entregas seguras de indicadores de desempenho (KPIs). Com isso, orçamentos expressivos acabam direcionados a números brutos de visualizações, em detrimento do impacto real e da autoridade que um atleta olímpico carrega em sua modalidade.
Como as marcas podem apoiar a rotina do atleta
Como alternativa sustentável, Peu defende que as empresas parceiras assumam o custo e a logística de produção de mídia, integrando equipes de captação aos treinos sem intervir na rotina técnica. Ele citou como exemplo a cobertura feita pelo fotógrafo Thiago Ribeiro durante o período de treinamento do triatleta Miguel Hidalgo na Espanha, em que todo o registro foi produzido externamente sem alterar a rotina de treinos.
A mudança desse cenário depende de tomadores de decisão mais ousados dentro das empresas, dispostos a investir na jornada esportiva em vez de apenas comprar espaço em canais de grande alcance superficial.