Curated
Voltar S @stemma 3 min de leitura
sports

Bastidores e propósito: como nasceu o Bota Pra Correr

Peu Guimarães detalha a criação do circuito da Olympikus, os desafios logísticos e a aposta em sustentabilidade.

Em conversa no XTREMMA Sports, Peu Guimarães revela como a verba de um comercial de televisão deu origem ao Bota Pra Correr. O fundador da Icons explica a logística rigorosa e o compromisso ambiental por trás do circuito da Olympikus.

A criação do circuito Bota Pra Correr, da Olympikus, nasceu de uma mudança estratégica de rota e da busca por conexão genuína com a comunidade esportiva. Durante participação no programa XTREMMA Sports, apresentado por Shubi Guimarães no canal Stemma Sports — em episódio que também aborda sua trajetória na corrida de aventura e nos bastidores olímpicos —, o empresário Peu Guimarães relembrou as origens do projeto e a transição da Icons Agency para a criação de grandes eventos experienciais.

No início da Icons, o foco estava concentrado no agenciamento de atletas olímpicos. O cenário comercial, contudo, mostrava-se instável: o investimento de marcas concentrava-se apenas em períodos próximos aos Jogos Olímpicos, deixando os competidores desassistidos durante a maior parte do ciclo de quatro anos. A virada aconteceu a partir do contato com Márcio Kalaf, que buscava estruturar um projeto proprietário de corrida para a Olympikus e procurava alguém com vivência real em áreas remotas e ambientes naturais.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

A proposta de desbravar o Brasil correndo

A Olympikus avaliava uma grande campanha publicitária em horário nobre na TV aberta, estrelada por celebridades, mas questionou a efetividade desse modelo para engajar corredores assíduos. A decisão foi redirecionar a verba de um anúncio de televisão para criar uma experiência imersiva: levar os participantes a conhecerem o Brasil por meio da corrida.

Convidado a apresentar um projeto técnico em apenas dez dias, Peu Guimarães recorreu à bagagem acumulada nos anos de corrida de aventura ao lado da irmã, Shubi Guimarães. O circuito inaugural foi desenhado com três destinos que a dupla já dominava logisticamente: Jalapão, Pantanal e Alter do Chão.

Bastidores e propósito: como nasceu o Bota Pra Correr

Logística extrema e respeito à capacidade local

Desde a primeira edição, o planejamento do Bota Pra Correr estabeleceu como premissa respeitar a capacidade de carga de cada município sede. O limite de inscritos não é definido pela demanda de vendas, mas pela infraestrutura real de hospedagem, alimentação e transporte do local, evitando sobrecarregar o comércio e os serviços da região.

As exigências operacionais variaram drasticamente conforme o terreno. No Jalapão, o evento reuniu 200 atletas após um deslocamento de sete horas em veículos 4x4 até a cidade base. No Pantanal, a organização precisou construir uma ponte provisória de 600 metros para conectar o percurso de 300 participantes. Já em Alter do Chão, a prova dependeu da dinâmica natural do Rio Tapajós para liberar a faixa de areia da praia.

Sustentabilidade e legado em cada destino

O circuito passou por locais como Chapada dos Veadeiros, São Miguel dos Milagres, Itacaré, Morretes, Bento Gonçalves, Rio do Vento, Serra do Cipó, Costa do Conde, Cumbuco e Chapada dos Guimarães. A premissa central é nunca repetir uma cidade sede, o que torna a entrega de legado fundamental.

Entre as práticas ambientais adotadas, o evento aboliu copos plásticos descartáveis nos postos de hidratação, exigindo recipientes próprios dos atletas, e proibiu o uso de embalagens originais de suplementos durante os trechos de trilha. Em ações integradas com órgãos como o ICMBio, o projeto viabilizou melhorias estruturais, como a reabertura de trilhas públicas após uma década fechadas na Chapada dos Guimarães, além de estimular a cultura da corrida em comunidades que antes contavam com pouca prática esportiva organizada.

PUBLICIDADE (GAM) — 1250x250

Mais de @stemma