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O futuro dos eventos e a busca pelo esporte na natureza

Peu Guimarães analisa o avanço de provas focadas em experiência e a migração de corredores do asfalto para as trilhas.

Em conversa no XTREMMA Sports, Peu Guimarães discute por que grandes aglomerações perdem espaço para provas focadas em experiência. O produtor e atleta também detalha como o esporte ao ar livre resgata a presença e redefine o desafio pessoal.

O mercado de eventos esportivos vive um momento aquecido, mas que passa por transformações profundas na entrega e no comportamento do público. Em conversa no programa XTREMMA Sports, comandado por Shubi Guimarães, o produtor e atleta Peu Guimarães analisou as principais tendências para as provas de endurance, destacando a transição de megaeventos massificados para formatos menores, focados em valor de experiência e contato direto com a natureza.

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Menos volume, mais experiência na produção esportiva

Para Peu, o formato de megaeventos tende a encolher fora das maratonas consagradas globalmente, como as Majors. A grande dificuldade das produções com dezenas de milhares de participantes reside na manutenção de um padrão alto de qualidade em toda a jornada do atleta. Na visão do produtor, o modelo de negócio mais sustentável e desejado passa por encontros de menor escala — em torno de 1.000 pessoas —, onde a operação garante excelência e satisfação total.

Esse formato mais intimista não apenas reduz o risco financeiro e operacional do organizador, mas também potencializa a percepção de valor e gera conteúdos de forte impacto visual para inspirar a comunidade. Peu aponta que, embora o mercado esteja aquecido, a entrega média geral ainda é deficitária. Entre os exemplos positivos de consistência operacional, ele cita a La Mission, pelo rigor técnico mantido por seu organizador Paulinho, e as etapas do Ironman Brasil organizadas pela Unlimited Sports de Carlos Galvão, cujo padrão de entrega se destaca mesmo quando comparado a provas do circuito internacional.

O futuro dos eventos e a busca pelo esporte na natureza

A migração do asfalto para as trilhas e a reconexão com a presença

Outro movimento destacado no bate-papo é o crescimento expressivo da busca por provas ao ar livre e esportes de aventura. O impulso ganhou força após a pandemia, quando o excesso de rotina digital e sedentarismo urbano despertou a necessidade biológica de movimento e contato com ambientes naturais.

Essa mudança reflete uma diferença marcante de mentalidade entre o asfalto e as trilhas. Enquanto as provas de rua costumam seguir uma dinâmica mecânica — pautada estritamente por ritmo, cronômetro, hidratação programada e constante comparação visual com outros corredores —, o terreno irregular da montanha exige atenção plena.

No trail running, a alternância constante entre subidas técnicas, pedras, descidas e single tracks obriga o atleta a focar exclusivamente em cada passada e no ambiente imediato. Essa exigência física elimina a pressão social: caminhar ou parar para registrar a paisagem torna-se parte natural da jornada, sem a autocobrança comum nas corridas de rua. Como conclui Peu, as provas padronizadas de asfalto tendem a funcionar cada vez mais como rotina de treino, enquanto os desafios remotos e inusitados passam a ocupar o espaço das grandes experiências de vida.

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