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Manuela Vilaseca: adaptação na Europa e memória no trail

No Stemma Na Trilha, a ultramaratonista detalha a transição para a Espanha, grandes provas e a visibilidade no Brasil.

Manuela Vilaseca abriu o jogo sobre os desafios de adaptação ao se mudar para a Espanha e o impacto no rendimento esportivo. A atleta relembrou grandes performances internacionais e debateu a falta de memória do trail running brasileiro.

A transição de uma carreira esportiva para o exterior costuma ser vendida como um mar de rosas, mas a realidade das trilhas cobra uma conta pesada. Em entrevista a Sidney Togumi no Stemma Na Trilha, Manuela Vilaseca relembrou os bastidores da sua mudança para a Espanha, logo após viver um dos períodos mais consistentes da carreira, acumulando dois top 10 no UTMB e resultados expressivos na Transgrancanaria e em Lavaredo no ano de 2015.

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A sobrecarga e o limbo da adaptação europeia

Ao se mudar para a Europa, Manu perdeu o vínculo com a The North Face Brasil e assinou com a Buff. Empolgada com a facilidade de acesso às principais competições do continente, a corredora cometeu um erro comum a muitos atletas: quis disputar tudo. O calendário virou uma maratona de ultras mensais, emendando Transgrancanaria, Transvulcania, Madeira Island Ultra-Trail (MIUT), Lavaredo Ultra Trail e UTMB em sequência.

O choque cultural e a sobrecarga física cobraram o preço. A atleta descreve um período de quase três anos em que perdeu a própria identidade competitiva. Embora completasse as provas, sentia que faltava força e conexão com o esporte, passando longe do prazer de correr em alto nível.

Manuela Vilaseca: adaptação na Europa e memória no trail

A volta por cima e performances históricas

A virada de chave aconteceu nos Pirineus, durante a disputa da Buff Epic Trail. Foi naquele pódio em terceiro lugar que Manuela sentiu que finalmente havia recuperado seu ritmo e sua essência de corrida. A partir daí, engatou performances de altíssimo nível no cenário internacional.

Entre os feitos, destacam-se a vitória no Ultra Peneda-Gerês, em Portugal, a quinta colocação na tradicionalíssima Marathon des Sables — disputada sob calor extremo no deserto, um terreno totalmente fora de sua zona de conforto — e um quinto lugar histórico na TDS (Sur les Traces des Ducs de Savoie), colada na sueca Anna Carlsson, que Manu classifica como uma das melhores atuações de sua vida. Mais tarde, conquistou a cobiçada Tríplice Coroa das 200 milhas nos Estados Unidos (composta por Bigfoot 200, Tahoe 200 e Moab 240), pulverizando o recorde anterior por 29 horas.

A desconexão com o público e a memória do esporte no Brasil

Apesar dos resultados de peso, a repercussão dessas conquistas no Brasil muitas vezes foi tímida. Sidney Togumi e Manu pontuaram que o trail running nacional viveu duas fases distintas: a primeira grande onda por volta de 2012 a 2014 e um novo boom expressivo no período pós-pandemia.

Para a nova geração de corredores, os feitos pioneiros de nomes como Manuela Vilaseca, Rosalia Camargo, Fernanda Maciel e Cínthia Terra acabam passando despercebidos. Estar radicada fora do país e distante do circuito local acentua essa barreira, somada ao hábito cultural brasileiro de pouco valorizar o histórico de seus campeões. Ainda assim, com mais de 90% dos contemporâneos de geração já aposentados, Manu segue firme na elite das provas mais extremas do planeta.

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