João Bizerra analisa os rumos da natação brasileira
Com quase quatro décadas de experiência, o treinador defende uma reestruturação profunda nos esportes aquáticos nacionais.
Em conversa no Natação Stemma, João Luiz Bizerra analisa os principais entraves estruturais dos esportes aquáticos no Brasil. O técnico defende maior integração entre confederação e federações para valorizar talentos em diferentes modalidades aquáticas.
Com quase quatro décadas de atuação na formação de atletas e passagens marcantes pela seleção de águas abertas e pela arbitragem internacional, João Luiz Bizerra traz uma visão crítica e construtiva sobre o momento dos esportes aquáticos no país. Para o treinador, o esporte nacional carrega um potencial expressivo, mas segue limitado pela falta de integração e por modelos de gestão que pedem renovação urgente.
A urgência de uma reestruturação integrada
Segundo Bizerra, a necessidade de repensar a estrutura da modalidade é um consenso claro entre os principais técnicos do país. Ele cita um workshop realizado no Círculo Militar de São Paulo, reunindo grandes nomes da liderança técnica nacional, em que a conclusão comum foi a exigência de uma reformulação geral, partindo das instâncias máximas de gestão até as federações estaduais.
A disparidade entre as entidades regionais e a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA) é um dos pontos centrais desse debate. Na avaliação de Bizerra, há federações estaduais com gestão mais eficiente que a própria confederação, além de falhas de comunicação que isolam boas iniciativas. Como exemplo, ele aponta um projeto de detecção de talentos conduzido pela CBDA no Espírito Santo, sob coordenação do técnico Ricardinho (ex-Sesi), que permanece pouco conhecido até mesmo no circuito local.
Diversidade regional e a base dos esportes aquáticos
Outro pilar destacado pelo treinador é a dimensão continental do Brasil, que oferece condições naturais e vocações distintas em cada estado. Bizerra ressalta que diferentes regiões têm potencial para liderar polos de águas abertas, polo aquático, saltos ornamentais e nado artístico, desde que haja um direcionamento estratégico adequado.
A natação em piscina, no entanto, permanece como o alicerce fundamental de todas as disciplinas aquáticas. Ele lembra o exemplo da ABDA (Associação Bauruense de Desportos Aquáticos), que nasceu com forte ligação com o polo aquático, mas mantém a natação como motor técnico de sustentação. A tradicional força dos clubes paulistanos — como Pinheiros, Paineiras e Paulistano — ilustra o peso dessa base estruturada, abrindo espaço para refletir sobre como o esporte poderia alcançar outro patamar de visibilidade com a entrada de grandes clubes do futebol no polo aquático e nas piscinas.