João Luiz Bizerra e seus 39 anos de história na natação
Head coach histórico do Círculo Militar relembra bastidores das piscinas, maratonas aquáticas e arbitragem olímpica.
Com quatro décadas dedicadas à borda da piscina, João Luiz Bizerra repassa sua trajetória técnica no Corinthians e no Círculo Militar. O treinador detalha aventuras no circuito mundial de águas abertas e analisa os rumos da natação brasileira.
Com quase quatro décadas dedicadas à formação de atletas e ao alto rendimento, João Luiz Bizerra construiu uma das trajetórias mais emblemáticas do esporte nacional. Head coach histórico do Círculo Militar de São Paulo, técnico de seleções e árbitro internacional, o treinador reuniu causos, bastidores e lições práticas acumuladas em sua longa vivência entre as raias da piscina e as correntezas do mar.
Início da carreira de treinador e ida ao Círculo Militar
Antes de cravar seu nome no Círculo Militar, Bizerra deu os primeiros passos como treinador no início da década de 1980. Revelado pelo professor Rogério Ventura após destacar nadadores de academia em festivais, ele assumiu categorias de base no Corinthians a partir de 1981, levando a equipe infantil ao vice-campeonato paulista em 1987. Após a eleição de Vicente Matheus na diretoria alvinegra, a comissão técnica deixou o clube e manteve a equipe em atividade temporária no Clube Atlético Parque da Mooca antes de Bizerra assumir o comando técnico do Círculo Militar em 8 de março de 1988, impulsionado pelo exemplo de trabalho do pai e pela formação com mestres como José Paulo Scatena e William Urizzi de Lima.
Inserção nas águas abertas e formação de nadadores
A transição para o universo das maratonas aquáticas ocorreu de forma orgânica, aproximando os atletas do clube das travessias litorâneas e do trabalho pioneiro de Igor de Souza. Bizerra defende que piscina e maratonas aquáticas se complementam tecnicamente, onde a piscina fornece o ritmo e o mar desenvolve a resistência e o controle psicológico. Essa filosofia revelou nomes de destaque nacional e internacional, como Alex Takeda e Camila Bernardi Lancette, que quebrou paradigmas ao vencer provas gerais no mar ainda na categoria petiz e alcançar convocações para mundiais em piscina.
Circuito mundial, arbitragem e histórias internacionais
Na década de 1990, Bizerra expandiu suas fronteiras ao acompanhar Alex Takeda nas etapas do Circuito Grand Prix de ultramaratonas aquáticas no Canadá e nos Estados Unidos, acumulando episódios curiosos como uma prova sprint promocional em Magog. A vivência internacional incluiu também a travessia de 25 km sob forte tempestade no Pan-Pacífico e no Mundial de Esportes Aquáticos de Roma, em 1994, ao lado da australiana Shelley Taylor-Smith. Mais tarde, sua dedicação às regras o levou ao quadro de arbitragem internacional, atuando em etapas de Copa do Mundo, Jogos Pan-Americanos e nos Jogos Olímpicos do Rio 2016.
Visão sobre o cenário e a reestruturação da natação brasileira
Ao avaliar o momento dos esportes aquáticos no país, o treinador destaca a necessidade urgente de um alinhamento estrutural entre a Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), federações estaduais e clubes formadores. Bizerra ressalta que o Brasil possui dimensões continentais e vocações regionais distintas que precisam ser integradas, aproveitando melhor o potencial não apenas da natação clássica e das águas abertas, mas também de modalidades como polo aquático e saltos ornamentais por meio de projetos de base consistentes e comunicação eficiente.
Quadro Quebra Recordes e reflexões finais
No quadro de respostas rápidas, o treinador apontou a cobrança técnica como seu principal ponto forte e a empatia excessiva como ponto vulnerável, elegendo a casa como lugar favorito e o Pan-Pacífico de Roma como a competição mais marcante da carreira. Atualmente à frente de projetos de treinamento no Colégio Benjamin Constant, João Luiz Bizerra sintetizou sua mentalidade construída em quase 40 anos de borda de piscina com um recado direto aos novos atletas e profissionais: acreditar no próprio trabalho, pois a evolução depende da dedicação pessoal.