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Como unir piscina e águas abertas segundo João Bizerra

Ex-treinador do Círculo Militar relembra a inserção nas maratonas aquáticas e defende a integração entre mar e raia.

João Bizerra explica como introduziu nadadores de piscina nas maratonas aquáticas durante suas décadas no Círculo Militar de São Paulo. O treinador destaca os ganhos técnicos e relembra a evolução da modalidade no país.

Durante quase quatro décadas à frente do Círculo Militar de São Paulo, o treinador João Luiz Bizerra construiu uma metodologia que quebrou barreiras entre a natação de piscina e as provas de mar aberto. Em conversa no podcast Natação Stemma, Bizerra detalhou como a experiência nas maratonas aquáticas fortaleceu a formação de seus atletas, transformando a transição entre ambientes em um diferencial competitivo.

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Das primeiras travessias à arbitragem internacional

A relação de Bizerra com as águas abertas começou ainda como atleta, disputando travessias em Ubatuba, a prova da Ponte Pênsil em Santos e a histórica edição do São Paulo a Nado na raia da USP com o técnico José Paulo Scatena. Mais tarde, no Corinthians ao lado do professor Ney, ele levava equipes jovens para nadar no litoral norte paulista e em represas do interior.

Ao assumir o comando técnico no Círculo Militar, Bizerra encontrou resistência inicial entre atletas que não tinham o hábito de nadar fora da piscina. Com o incentivo de nomes como Igor de Souza e Sr. Lazuri na Federação Aquática Paulista (FAP), a equipe do clube passou a marcar presença constante nas provas em conjunto. Essa aproximação levou Bizerra a realizar o curso de arbitragem, atuando em três etapas nacionais da Copa do Mundo de Maratonas Aquáticas, incluindo os eventos em Santos.

Como unir piscina e águas abertas segundo João Bizerra

A geração de ouro do Círculo e a vitória histórica em São Sebastião

Entre as viagens para clínicas nos Estados Unidos — incentivadas desde o período no Corinthians por Fernando Soriano —, Bizerra lapidou atletas de destaque. O grupo reuniu nomes como Alex Shigemitsu Takeda, Ricardo Cambara, Wellington Zazá San, Julvir Moretti, Enio Yamada, Carlos Caldeirão, Francisco Fernandes e Leste Souza Longo. Todos nadavam piscina e maratonas aquáticas.

Um dos episódios mais marcantes dessa geração envolveu Camila Bernardi Lancette. Campeã paulista, brasileira e sul-americana, Camila foi a primeira atleta do clube convocada para um Campeonato Mundial de piscina, realizado na República Tcheca sob o comando do técnico Paulo Ruas. Antes disso, ainda na categoria petiz 2, com apenas 12 anos, Camila disputou uma prova de 3 km do recém-criado Campeonato Paulista de Águas Abertas, com largada na Barra do Queçaba e chegada na Praia dos Trabalhadores, em São Sebastião. Contra todas as expectativas, ela cruzou a linha em primeiro lugar geral, superando todo o pelotão masculino.

Piscina e mar: modalidades complementares

Para João Bizerra, o receio de que as águas abertas atrapalhem a performance na piscina é um equívoco. O ritmo refinado nas raias encontra na maratona aquática o ganho ideal de resistência, variação técnica e força mental, uma vez que o atleta aprende a lidar com ondas, correntes e a ausência de bordas para descanso.

Exemplos contemporâneos reforçam essa sinergia, com fundistas de ponta da piscina como Guilherme Costa (Cachorrão) e os irmãos Bruce e Brandonn Almeida obtendo destaque imediato ao disputar provas no mar. Para velocistas, distâncias curtas de 1 km funcionam perfeitamente como estímulo dentro da rotina de treino.

A evolução do circuito paulista e a homenagem da FAP

O cenário das águas abertas em São Paulo se estruturou significativamente ao longo dos anos. O Campeonato Paulista hoje segue o formato tradicional da piscina, dividindo-se em edições de Inverno e Verão, com disputas em locais como a Praia da Cocanha, em Caraguatatuba, atraindo centenas de nadadores federados, vinculados e avulsos.

O programa atual contempla provas de 500 m para a categoria petiz, 1 km a partir do infantil, 2,5 km, 5 km e revezamento misto 4x750 m. Reconhecendo sua contribuição histórica para o desenvolvimento da modalidade e a formação de atletas no estado, a Federação Aquática Paulista batizou o troféu do circuito estadual com o nome de Troféu João Bizerra.

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