Do trânsito escolar ao pódio: o início de João Cardoso nos EUA
Mudança para Orlando, a fuga das filas na escola e as primeiras vitórias na tradicional prova Turkey Trot.
A trajetória do jovem corredor João Cardoso nos Estados Unidos começou por um motivo inusitado: evitar o trânsito na porta da escola. O que era apenas uma solução logística familiar rapidamente se transformou em vitórias expressivas e no surgimento de uma equipe de corrida infantil.
A mudança da família de João Cardoso para os Estados Unidos foi planejada em 2014 e concretizada em dezembro de 2015, com a chegada a Orlando, na Flórida. Na época, João tinha apenas dois anos e mal falava português. A relação da família com a cidade americana já vinha do esporte: seu pai, Thiago, já havia completado o Desafio do Dunga na Disney por duas vezes (correndo as distâncias de 5 km, 10 km, 21 km e 42 km), experiência que serviu de incentivo para a escolha do novo lar.
A solução inusitada para fugir do trânsito
O ingresso de João no atletismo aconteceu quando ele cursava o primeiro ano escolar, por volta dos 6 para 7 anos de idade, e partiu de uma necessidade prática. A fila de carros para deixar as crianças na escola demorava quase uma hora todas as manhãs. A alternativa encontrada pela família veio por meio de um panfleto do clube de corrida da escola: alunos inscritos na atividade podiam ser deixados uma hora mais cedo no local.
O jovem começou a correr para escapar do tempo ocioso dentro do carro e logo passou a se destacar entre os colegas. A primeira grande confirmação do talento veio na tradicional prova temática da semana de Ação de Graças, a Turkey Trot. João venceu a disputa escolar e levou para casa o prêmio simbólico — um peru de Thanksgiving —, façanha que repetiu consecutivamente do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental.
Rivalidade saudável e o salto nos treinos
No quinto ano escolar, João passou a enfrentar provas interescolares com um nível de exigência maior. Durante dois anos, encontrou um rival constante nas finais locais: um atleta da mesma idade que já competia em âmbito nacional. Esse desafio serviu de combustível para que Thiago passasse a estruturar uma rotina de treinamento mais dedicada ao filho a partir de 2023.
A evolução de João chamou a atenção de outras famílias e o próprio adversário passou a treinar junto com o grupo. Em provas de 3.000 metros, a disputa acirrada entre os dois continuou, fortalecendo a evolução mútua. A experiência levou Thiago a fundar um projeto de treinamento esportivo que hoje atende mais de 70 crianças em distâncias que vão de 400 metros até provas de 5 km.