Assessorias de corrida: o contraste entre o Brasil e os EUA
Enquanto o modelo brasileiro oferece suporte técnico próximo, o mercado americano aposta no treino autodidata e em apps.
O modelo brasileiro de assessorias esportivas com acompanhamento técnico próximo é uma exceção no cenário global. Nos Estados Unidos, o público amador aposta no perfil autodidata, demandando um processo de educação de mercado para introduzir treinos estruturados.
O ecossistema de assessorias esportivas no Brasil é um dos mais estruturados do mundo da corrida de rua. Com acompanhamento presencial, suporte de treinadores e planilhas individualizadas, o modelo se estabeleceu como padrão para quem busca evoluir no esporte. No entanto, ao cruzar a fronteira para os Estados Unidos, o cenário do treinamento amador revela uma realidade completamente diferente.
A cultura autodidata e a ausência do modelo tradicional
Nos Estados Unidos, o formato tradicional de assessoria esportiva com acompanhamento técnico individualizado praticamente inexiste para o corredor amador comum. A cultura local é predominantemente autodidata: praticantes costumam buscar treinos na internet, seguir aplicativos ou treinar por conta própria, algo perceptível também dentro das academias de ginástica, que raramente contam com professores de sala ou personal trainers da mesma forma que no Brasil.
Embora existam grandes grupos e clubes sociais de corrida que reúnem centenas ou milhares de pessoas em cidades como Nova York e Jacksonville, o serviço de consultoria com prescrição detalhada de treinos e foco em grandes maratonas ainda é um conceito distante da maioria dos adultos americanos.
O caminho reverso: educando o mercado a partir da base
Diante da resistência inicial ao modelo tradicional de assessoria para adultos, a estratégia para introduzir o formato tem sido começar pelas categorias de base. O trabalho com jovens e crianças foca na introdução de rotinas estruturadas de atletismo, ensinando desde aquecimento e volta à calma até exercícios educativos e treinos intervalados com suporte de aplicativos.
Esse movimento tem gerado um efeito multiplicador, despertando o interesse dos próprios pais e abrindo espaço para a expansão do serviço entre adultos. Iniciativas brasileiras já começam a enxergar essa oportunidade e expandir operações para solo norte-americano, como a assessoria Bora, que estruturou um núcleo em Miami para atender à demanda de um mercado que começa a ser educado sobre o valor da orientação profissional.