O crescimento do trail running na América Latina segundo Depa
Locutor das maiores provas do mundo analisa a paixão local, a falta de ídolos globais e o impacto da marca UTMB na região.
Em conversa no Stemma Na Trilha, o locutor e jornalista Depa analisou o momento do trail running latino-americano. Ele destacou o alto nível das provas, a força da paixão dos atletas e a importância de grandes franquias internacionais no continente.
Com presença constante como speaker em grandes eventos internacionais, o comunicador espanhol Depa compartilhou no Stemma Na Trilha, com Sidney Togumi, sua visão sobre a evolução das corridas de montanha na América Latina. Frequentador assíduo de provas históricas do continente — como o El Cruce na Patagônia, além de passagens por eventos no Brasil, Chile, Equador e México —, ele aponta que a região vive uma expansão acelerada impulsionada por um fator singular: a paixão visceral dos corredores.
Paixão como motor e alto nível de organização
Para Depa, enquanto a Europa convive com um calendário maduro e saturado, a América Latina tem uma energia efervescente. Milhares de atletas viajam anualmente por países vizinhos para encarar desafios extremos na Patagônia e na Cordilheira dos Andes com um entusiasmo que contagia qualquer transmissão. Ao mesmo tempo, ele elogiou a evolução técnica e logística de provas em países como Argentina, Brasil, México, Peru e Chile, afirmando que a capacidade organizativa local não deixa a desejar em relação aos principais centros do esporte.
A busca por referências no topo internacional
O grande gargalo para o esporte na região, segundo o locutor, ainda é a formação de grandes ídolos globais que puxem a massa de praticantes. Nomes como o equatoriano Joaquín López — que conquistou pódio na lendária prova de Chamonix —, o argentino Santos Gabriel Rueda e as brasileiras Fernanda Maciel e Manu Vilaseca abriram caminhos importantes, mas o continente ainda necessita de uma presença mais constante e numerosa de atletas disputando as primeiras colocações nas principais ultras do planeta.
O papel da marca UTMB e a visibilidade externa
Outro ponto debatido foi o alcance das notícias latino-americanas na Europa. Devido ao excesso de provas no circuito europeu, apenas eventos pontuais conseguem furar a bolha de atenção do público internacional. Nesse cenário, Sidney Togumi e Depa ressaltaram a relevância da chegada de franquias globais como o circuito UTMB a destinos como Paraty (RJ).
Mesmo mantendo uma postura crítica e consciente de que o circuito opera como empresa comercial, Depa reconhece o papel fundamental dessa internacionalização. Ao atrair corredores de países distantes — como Lituânia e China —, a franquia conecta a cadeia turística local ao cenário global e coloca as montanhas sul-americanas no mapa dos principais ultramaratonistas do mundo.