Como a Velocità nasceu e virou pioneira em corrida no Brasil
Iniciada como Sport Now nos anos 1990, a marca adotou foco total no esporte em 2002 e apostou em consultoria técnica.
Antes de se consolidar como referência em corrida de rua, a Velocità começou como uma loja de artigos esportivos gerais. Em entrevista, Alexandre Estefano detalha a transição da marca para o modelo especializado e a evolução do mercado nacional.
Dos artigos gerais à aposta na corrida de rua
Quando o projeto que deu origem à Velocità começou, em 1996, o mercado esportivo brasileiro tinha uma dinâmica completamente diferente da atual. A operação nasceu sob o nome Sport Now, idealizada por Carneiro e Felipe Estefano — irmão de Alexandre Estefano, atual sócio-diretor da marca. A proposta inicial era atender a múltiplas modalidades, funcionando como uma loja de esportes tradicional.
Com o passar dos anos, os fundadores perceberam que os produtos de corrida registravam o crescimento mais expressivo e representavam o maior diferencial de vendas. Na virada do milênio, o cenário da corrida de rua em São Paulo começava a ganhar tração com o surgimento das primeiras assessorias esportivas — como a de Marcos Paulo Reis e a Run Fun — e provas organizadas por entidades como a Corpore e as corridas do Pão de Açúcar, que ampliavam o calendário além de eventos clássicos como a São Silvestre.
Observando o modelo de lojas especializadas (running specialty stores) já consolidado nos Estados Unidos e na Europa, os sócios decidiram transformar o negócio. Por volta de 2002, a empresa passou a se dedicar integralmente à corrida, rebatizando a operação como Velocità.
O conceito de loja especializada e a era japonesa
A criação da Velocità trouxe inovações estruturais para a experiência de compra do corredor no Brasil. O espaço foi desenhado para colocar o atleta no centro: separou a curadoria masculina da feminina, ofereceu teste de pisada dentro da loja e integrou áreas para eventos e retirada de kits de provas.
Naquela fase, o mercado nacional de calçados de performance era amplamente dominado por marcas japonesas. Cerca de 70% das vendas da loja se concentravam em modelos da Asics e da Mizuno, que introduziram conceitos técnicos de amortecimento em gel e placas onduladas, além de difundir a categorização de tênis para pisadas pronada, supinada e neutra. A consultoria técnica tornou-se, assim, a base de sustentação do varejo especializado no país.