A evolução cultural da corrida e o atendimento especializado
Alexandre Estefano explica como a corrida deixou de ser refúgio e moldou uma equipe de vendas formada por corredores.
A transformação no perfil do corredor brasileiro mudou a forma como o esporte é consumido e praticado. Alexandre Estefano, sócio-diretor da Velocità, detalha a transição cultural da modalidade e a importância de ter uma equipe de atendimento que realmente vive a rotina dos treinos.
A percepção sobre a corrida de rua passou por uma profunda transformação na última década. Se no passado a modalidade era vista quase como um esporte de transição para quem já havia passado dos 30 ou 35 anos — frequentemente após lesões no futebol ou no tênis —, hoje o cenário é completamente diferente. O esporte rejuvenesceu, ganhou apelo visual e transformou o praticante comum em alguém que assume com orgulho a identidade de corredor.
Para Alexandre Estefano, sócio-diretor da Velocità, o boom recente reflete sobretudo uma virada cultural impulsionada pelo interesse dos jovens em saúde, novas formas de expressão e o esforço das marcas em tornar a modalidade atraente. Se antes o foco recaía quase exclusivamente no desempenho individual, nas planilhas rígidas e na busca obsessiva por recordes pessoais (RP), a corrida atual agregou valores de convivência coletiva, diversão e liberdade de ritmo.
Da resistência inicial à equipe formada por atletas
Essa mudança de comportamento impactou diretamente a formação da equipe de atendimento nas lojas. Em meados de 2014, recrutar vendedores que fossem praticantes de corrida era um desafio considerável. A maioria dos jovens contratados aos 18 ou 19 anos preferia esportes coletivos como o futebol e achava a ideia de rodar sozinho pelo parque monótona.
Com o tempo e o avanço da cultura do esporte, o quadro se inverteu. Atualmente, cerca de 90% do quadro geral de colaboradores da rede pratica corrida, índice que chega próximo a 100% entre os vendedores de salão. Em ações internas e provas para as quais a empresa viabiliza inscrições de cortesia, costumam participar de 20 a 25 pessoas de uma equipe total de 40 colaboradores.
A importância da vivência real no atendimento
O conhecimento técnico de produto ganha outra dimensão quando sustentado pela rotina real de treinos. A Velocità mantém parcerias com assessorias esportivas e incentiva os funcionários a cumprirem ciclos de preparação para distâncias que variam de 10 km e 21 km até a maratona.
Ao vivenciar os desafios cotidianos — como disciplina de sono, alimentação, gestão de desgaste e prevenção de lesões —, o atendente adquire autoridade prática para orientar o cliente. O treinamento sobre tecnologias de entressola, amortecimento e mecânica do calçado passa a complementar uma experiência que o vendedor já testa nas próprias pernas todos os dias.