Como a Velocità dobrou de tamanho e acelerou no digital
Alexandre Estefano detalha como o e-commerce, as máscaras Fiber e o WhatsApp transformaram o negócio na pandemia.
A transição para o e-commerce e as estratégias adotadas durante a pandemia permitiram que a Velocità dobrasse de tamanho. Alexandre Estefano detalha o papel do digital, a gestão de estoque e o atendimento via WhatsApp na expansão da rede.
A trajetória de consolidação da Velocità no varejo esportivo passou por um ponto de virada decisivo com o fortalecimento de seus canais digitais e a gestão estratégica durante a pandemia de Covid-19. Quando Alexandre Estefano assumiu a sociedade da rede em 2014, a marca já tinha quase duas décadas de mercado e forte autoridade entre os corredores de performance, mas enfrentava as limitações de escala típicas de um varejo físico especializado.
Para romper a barreira do nicho e atingir praticantes de corrida fora do raio imediato de suas lojas físicas em São Paulo, a empresa apostou no comércio eletrônico e nas redes sociais. Esse movimento permitiu construir um público mais amplo de forma mais eficiente do que a expansão acelerada de pontos de venda. Como resultado desse investimento prévio em tecnologia, marketing digital e e-mail marketing, o e-commerce da Velocità já correspondia a cerca de 40% do faturamento total da empresa pouco antes do início da crise sanitária de 2020.
A resposta à pandemia e a virada nas vendas
Com o fechamento compulsório do comércio de rua em 2020, a estrutura digital já montada permitiu que a operação continuasse ativa sem interrupções. No período em que o público buscava alternativas seguras para continuar se exercitando ao ar livre ou na esteira, a loja encontrou um catalisador de vendas: a comercialização das máscaras esportivas da marca Fiber.
Apesar das restrições de divulgação impostas por grandes marketplaces e plataformas de anúncios na época para produtos ligados à saúde, a alta procura orgânica fez o volume de envios saltar de uma média de 20 a 30 pedidos diários para marcas entre 150 e 200 pedidos por dia. Esse salto exigiu uma reestruturação imediata de toda a esteira logística e operacional da rede.
Estratégia de estoque e expansão física
Na contramão da maior parte do varejo — que cancelou pedidos com fornecedores diante do cenário de incerteza —, a Velocità manteve suas programações anuais de compras e assumiu os lotes descartados por outros lojistas junto às marcas. A decisão garantiu profundidade de estoque quando a demanda esportiva explodiu.
Quando as lojas físicas puderam reabrir com horários reduzidos, os pontos de venda estavam totalmente abastecidos, permitindo converter a alta demanda de clientes. Essa dinâmica também resultou na readequação permanente dos horários de funcionamento das lojas de rua, que passaram a operar das 10h às 18h de forma definitiva.
Vendas por WhatsApp e equilíbrio omnichannel
Outra mudança estrutural foi a integração das equipes de loja física ao atendimento comercial via WhatsApp. A empresa adotou ferramentas corporativas para organizar o fluxo de conversas, permitindo que os vendedores utilizassem os momentos sem clientes presenciais para prestar consultoria remota, avisar sobre lançamentos e fechar vendas à distância.
Ao final do período pandêmico, a rede havia dobrado de tamanho, expandido sua rede física de três para cinco unidades em São Paulo e consolidado um modelo de negócios equilibrado, no qual a operação online e as lojas físicas dividem igualmente o faturamento total da companhia.