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Bastidores do trail: os detalhes que transformam a experiência

Poliana Moraes explica como fluxo, limpeza e rigor no planejamento definem o sucesso de uma arena de corrida.

Na produção de grandes eventos de corrida, a funcionalidade e o acolhimento começam muito antes do pórtico de largada. Em conversa no STEMMA na Trilha, Poliana Moraes detalha a importância de enxergar a arena pela perspectiva do atleta.

Quando um corredor entra na arena de uma grande prova de trail running, encontra tudo montado: pórticos alinhados, gradis esticados, placas sinalizadas e a entrega de kits operando em fluxo contínuo. Nos bastidores, essa percepção de fluidez não é fruto de mágica nem de estruturas pré-moldadas. Em entrevista a Sidney Togumi no STEMMA na Trilha, a produtora de eventos Poliana Moraes destacou que o verdadeiro encantamento de uma prova nasce do rigor no planejamento e de uma observação minuciosa de cada etapa da jornada do atleta.

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A jornada do atleta desde o estacionamento

Para Poliana, desenhar o espaço de um evento vai muito além da estética visual. A funcionalidade precisa ditar o projeto. O processo começa colocando-se integralmente no lugar de quem vai competir: ao chegar à cidade e se aproximar da concentração da Expo e da entrega de kits, a sinalização precisa estar clara e desobstruída — sem galhos escondendo letras essenciais nas placas. A atenção vai até o trajeto entre o estacionamento e a entrada.

Em uma prova recente, a produtora identificou durante a montagem que o único acesso de pedestres ao credenciamento era uma rua de terra que ficaria escorregadia e perigosa em caso de chuva, especialmente com a circulação de famílias e crianças. A solução rápida foi despejar pedras no trecho para dar aderência. O ideal, ressalta Poliana, é que essas variáveis sejam mapeadas logo na visita técnica inicial, inserindo os custos operacionais no planejamento para evitar surpresas financeiras no fechamento do orçamento do organizador.

Bastidores do trail: os detalhes que transformam a experiência

O primeiro contato e a postura do staff

A experiência do atleta depende diretamente do calor humano no primeiro contato com a organização. A recepção do evento exige profissionais preparados, descansados e com perfil receptivo — incluindo domínio de outros idiomas para provas com presença de estrangeiros. Se a primeira impressão na entrega de kits não transmite energia positiva e acolhimento, Poliana não hesita em remanejar posições na equipe para garantir carisma e prontidão no atendimento.

Esse cuidado técnico se estende à infraestrutura invisível: o dimensionamento do fluxo nos corredores de acordo com a quantidade de inscritos, o cumprimento rigoroso das normas de segurança do Corpo de Bombeiros e até o posicionamento estratégico de lixeiras próximas às áreas de café. Em outro exemplo do nível de exigência na entrega visual, a produtora chegou a conferir manualmente mais de 600 capas de gradil para padronizar a tonalidade de cor ao longo do percurso.

Combate ao comodismo e rigor no regulamento

Uma das posturas mais combatidas por Poliana na operação de eventos é o conformismo da frase "sempre foi assim". Em situações cotidianas de montagem, manter o ambiente limpo — recolhendo caixas de papelão e destinando resíduos imediatamente aos sacos de lixo — é uma atitude que não gera custo financeiro extra e transforma o impacto visual para quem chega à arena.

A mesma firmeza aparece no cumprimento das regras esportivas e de segurança. Na checagem de documentação e atestados médicos obrigatórios, a produtora mantém tolerância zero com exceções, independentemente de pedidos ou proximidade pessoal com os inscritos. Para Poliana, a rigidez com o regulamento e o foco obsessivo nos detalhes não são meros caprichos, mas as ferramentas centrais que garantem a integridade, a segurança e a entrega profissional de uma grande prova de endurance.

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